Negócios 05 de outubro de 2026 · 11 min de leitura

Recife recebe pela 1ª vez roadshow de IA da TOTVS

A TOTVS, maior empresa de tecnologia do Brasil, realizou seu roadshow de inteligência artificial no Recife pela primeira vez. O evento mostrou a empresas de vários setores como usar a IA no dia a dia. Para o Nordeste, é um sinal de que essa tecnologia está deixando de ser coisa só do eixo Rio-São Paulo.

RW

Rafael Willians

Fundador, Clube dos Cisnes

Recife recebe pela 1ª vez roadshow de IA da TOTVS
  • A TOTVS, apontada pela Folha de Pernambuco como a maior empresa de tecnologia do Brasil, levou seu roadshow de inteligência artificial ao Recife pela primeira vez.
  • O encontro reuniu empresas de setores diferentes para ver, na prática, o que a IA já faz pelos negócios e o que ainda está por vir.
  • Inteligência artificial é a tecnologia que faz um programa aprender com dados e tomar decisões parecidas com as de uma pessoa.
  • Na nossa estimativa no Clube dos Cisnes, um pequeno negócio consegue dar os primeiros passos com IA gastando de R$ 0 a R$ 150 por mês.
  • A ida ao Recife indica a interiorização da IA no Brasil, saindo das capitais do Sudeste rumo ao Nordeste.

A TOTVS estreou seu roadshow de IA no Recife

Segundo a Folha de Pernambuco, a TOTVS realizou no Recife, pela primeira vez, uma etapa do seu roadshow sobre inteligência artificial. Roadshow é uma série de eventos itinerantes: a empresa monta a mesma apresentação em várias cidades, uma de cada vez, como um show que roda o país. A novidade aqui foi o destino: a capital pernambucana entrou no mapa.

A TOTVS é uma empresa brasileira que faz os sistemas usados por lojas, indústrias e consultórios para controlar vendas, estoque e folha de pagamento. Quando uma companhia desse porte decide falar de IA no Recife, ela está dizendo que enxerga ali um público pronto para investir. É por isso que o assunto importa para o brasileiro comum: a tecnologia que antes parecia distante começa a bater na porta da padaria, da clínica e da pequena fábrica perto da sua casa.

O que é o roadshow de IA da TOTVS?

O roadshow de IA da TOTVS é um evento itinerante em que a empresa mostra, cidade por cidade, como seus sistemas usam inteligência artificial para ajudar negócios de todos os tamanhos. No Recife, de acordo com a Folha de Pernambuco, o foco foi apresentar aplicações práticas para empresas de setores variados.

Pense num caminhão de food truck que viaja de praça em praça servindo o mesmo cardápio. O roadshow funciona assim, só que o prato é conhecimento. Em cada parada, a empresa repete a demonstração, conversa com o público local e colhe impressões de quem está ali. É uma forma de vender, mas também de aprender o que cada região precisa.

Esse formato não é novo no mundo da tecnologia. Grandes fornecedores de software usam eventos itinerantes há décadas para apresentar lançamentos sem esperar o cliente viajar até a sede. O que mudou foi o tema central: antes era sobre gestão e planilhas, agora é sobre inteligência artificial. A IA virou o argumento principal de venda do setor, e isso se reflete até no roteiro desses encontros.

Por que a chegada ao Recife é um marco?

A chegada é um marco porque foi a primeira vez que esse roadshow específico passou pela capital pernambucana, segundo a Folha de Pernambuco. Durante muito tempo, grandes eventos de tecnologia no Brasil se concentraram em São Paulo. Trazer a conversa para o Recife reconhece que o Nordeste também tem empresas dispostas a investir.

Imagine um supermercado que só abria lojas nos bairros ricos e, de repente, inaugura uma unidade grande no seu bairro. A mensagem é clara: ele passou a enxergar poder de compra onde antes não olhava. O movimento da TOTVS carrega o mesmo recado para o mercado de IA no Nordeste.

Esse descolamento geográfico conversa com um debate mais amplo sobre quem fica para trás quando a tecnologia avança rápido. Já tratamos disso ao analisar como a inteligência artificial separa quem se adapta de quem demora a reagir no trabalho. Levar o assunto para novas cidades é uma forma de diminuir essa distância antes que ela vire um abismo.

Como a inteligência artificial muda o dia a dia de um pequeno negócio?

A inteligência artificial muda o dia a dia ao assumir tarefas repetitivas e ajudar o dono a decidir com base em dados, não só no instinto. Na prática, ela organiza informações que antes ficavam espalhadas em cadernos, no WhatsApp e na cabeça do empreendedor.

Imagine uma loja de roupas no centro do Recife. Com um sistema de IA, o dono descobre que vende três vezes mais nas tardes de sexta e que certa calça encalha todo inverno. A máquina cruza o histórico de vendas e aponta o padrão. O lojista compra melhor, evita estoque parado e para de perder dinheiro com palpite.

Esse tipo de ganho não é promessa de futuro distante. Já mostramos como a IA chegou às pequenas empresas de cidades do interior e passou a resolver problemas concretos de caixa e atendimento. O roadshow no Recife é mais uma peça desse mesmo movimento, agora no Nordeste.

Vale um mini-glossário para não se perder. Algoritmo é a receita de passos que o programa segue para chegar a um resultado. Modelo de IA é o sistema já treinado com muitos exemplos, pronto para responder. Automação é deixar a máquina fazer sozinha uma tarefa que antes exigia mão humana. São três palavras que aparecem o tempo todo nesses eventos.

A inteligência artificial só serve para grandes empresas de tecnologia?

Não. A inteligência artificial hoje serve, e talvez sirva ainda mais, para negócios pequenos, justamente porque eles têm menos gente para dar conta de tudo. Quem tem dois funcionários sente mais alívio ao automatizar uma tarefa do que uma multinacional com mil pessoas.

Um salão de beleza pode usar um robô de mensagens para marcar horários e lembrar o cliente da consulta, sem a recepcionista parar o atendimento. Uma oficina pode prever quando vai faltar peça. Um restaurante pode ajustar o cardápio pelo que mais sai. Nenhum desses exemplos exige um departamento de tecnologia.

O Brasil ainda engatinha nisso, e aí mora a oportunidade. Estudos já noticiados pelo blog indicam que a IA pode adicionar cerca de R$ 1 trilhão ao PIB do Brasil até 2030. Boa parte desse valor virá de milhões de pequenos negócios ganhando eficiência, não só de gigantes. Eventos como o da TOTVS existem para acelerar essa conta.

É como um jardim comunitário. Se só os terrenos grandes recebem semente e água, o bairro inteiro continua cinza. Quando cada pequeno canteiro também é cuidado, o verde se espalha e muda a paisagem toda. A IA distribuída entre os pequenos rende mais ao país do que concentrada em poucos.

Quanto uma empresa precisa investir para começar com IA?

Menos do que a maioria imagina: dá para começar de graça e evoluir aos poucos. Muitas ferramentas de IA têm versão gratuita suficiente para um negócio pequeno testar antes de pagar qualquer coisa.

Um comerciante pode começar hoje mesmo usando um assistente de conversa gratuito para escrever anúncios, responder dúvidas e organizar planilhas. O custo inicial é o tempo de aprender, não o dinheiro. Só quando a demanda cresce é que vale assinar um plano pago ou contratar um sistema mais robusto.

O erro comum é inverter essa ordem: gastar alto com um sistema completo antes de entender o próprio problema. É como abastecer o carrinho no supermercado sem lista: você sai com sacolas cheias e volta sem o que precisava. Antes de investir, o dono precisa saber qual dor quer resolver.

No Clube dos Cisnes, entendemos que a inteligência artificial deixou de ser um luxo de multinacional e virou ferramenta de sobrevivência para o pequeno negócio brasileiro.

Quais os riscos de adotar IA às pressas?

O maior risco é adotar a tecnologia sem preparar a casa: dados bagunçados, equipe sem treino e expectativa de milagre. A IA não conserta um negócio desorganizado, ela só acelera o que já existe, inclusive os erros.

Se a loja alimenta o sistema com estoque errado, a IA vai sugerir compras erradas com total confiança. Entra lixo, sai lixo, só que mais rápido. Por isso a adoção precisa começar pela arrumação dos dados e por um objetivo claro, não pela ferramenta da moda.

Há também a questão de confiar demais na máquina. Quando um sistema erra e isso gera prejuízo ao cliente, surge a pergunta de quem responde pela falha, um tema que já discutimos ao tratar de cuidados essenciais na hora de integrar a IA ao seu negócio. Pressa sem critério transforma uma boa ferramenta em dor de cabeça jurídica e financeira.

O que o Nordeste ganha com eventos assim?

O Nordeste ganha acesso e referência: empresários da região passam a ver aplicações reais sem precisar viajar para o Sudeste. Isso reduz a distância de informação que, por anos, deixou o interior do país um passo atrás.

Quando uma empresa grande leva seu evento a uma capital nova, ela também forma mercado. Surgem consultores locais, cursos, fornecedores e conversas de bar sobre o assunto. O conhecimento deixa de ser importado e começa a nascer ali, com o sotaque e os problemas da própria região.

Há um precedente parecido na história recente da internet no Brasil. Por muito tempo, capacitação em tecnologia se concentrava em poucas cidades, e o resto do país aprendia por conta própria, atrasado. Cada evento que descentraliza esse conhecimento repete, em menor escala, o movimento que levou a banda larga e, depois, o celular a cada canto do país.

A leitura do Clube dos Cisnes: a IA está descendo do eixo Rio-São Paulo

Na nossa leitura, o fato mais importante não é o conteúdo do evento, e sim o endereço. A TOTVS poderia ter feito mais uma edição em São Paulo. Escolher o Recife pela primeira vez sinaliza uma aposta clara: o próximo salto de adoção de IA no Brasil virá do interior e do Nordeste, não das capitais já saturadas.

Nossa previsão é direta. Nos próximos dois anos, outras grandes empresas de tecnologia devem repetir o movimento e espalhar eventos, suporte e parcerias pelo Norte e Nordeste. Quem abrir essas praças primeiro vai fidelizar uma base de clientes que ainda não tem fornecedor fixo. É uma corrida por território, parecida com a disputa das operadoras de celular pelas cidades médias há duas décadas.

Aqui entra uma estimativa nossa, de primeira mão. Pela experiência do Clube dos Cisnes acompanhando pequenos negócios, o investimento para sair do zero e colocar a IA para trabalhar de verdade costuma ficar entre R$ 0 e R$ 150 por mês nos primeiros meses, considerando ferramentas com versão gratuita e um plano básico. O gasto maior não é em software, é em tempo de aprendizado: reserve de 4 a 8 horas na primeira semana para testar e entender. Trata-se de uma estimativa da CDC, não de um número oficial da TOTVS.

Para ilustrar, pense num caso hipotético baseado no que costumamos ver: um pequeno comércio de bairro que vivia perdendo cliente por demora no atendimento. Ao colocar um assistente automático para responder dúvidas simples e marcar pedidos, o dono liberou duas horas por dia que antes gastava no telefone. É um exemplo ilustrativo, não um cliente específico, mas resume bem o tipo de ganho que um evento como esse promete destravar.

O recado que fica é simples: a inteligência artificial parou de ser promessa de palco e virou disputa de bairro. Quem entender isso cedo compra tempo; quem esperar vai pagar caro para correr atrás.

Perguntas frequentes

O que é o roadshow de IA da TOTVS?

É uma série de eventos itinerantes em que a TOTVS, maior empresa de tecnologia do Brasil segundo a Folha de Pernambuco, viaja por diferentes cidades mostrando como a inteligência artificial pode ser usada por empresas de todos os setores. A etapa do Recife foi a primeira na capital pernambucana.

Pequenas empresas conseguem mesmo usar inteligência artificial?

Sim. Hoje existem ferramentas de IA com versão gratuita que ajudam a responder clientes, escrever anúncios e organizar vendas. Um negócio pequeno pode começar sem gastar nada e só investir em planos pagos quando a demanda crescer.

Quanto custa para uma empresa começar a usar IA no Brasil?

Pela estimativa do Clube dos Cisnes, dá para começar gastando de R$ 0 a R$ 150 por mês nos primeiros meses, usando ferramentas com versão gratuita e um plano básico. O investimento maior costuma ser tempo de aprendizado, não dinheiro em software.

Por que a TOTVS escolheu o Recife para esse evento?

Porque enxergou no Nordeste um público de empresas disposto a investir em tecnologia. Levar o evento à região, em vez de repetir em São Paulo, mostra uma aposta na descentralização da inteligência artificial no Brasil.

Fontes

  1. folhape.com.br

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Tags: Negócios Clube dos Cisnes PME
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