IA 25 de junho de 2026 · 4 min de leitura

Publicadores do Reino Unido podem sair dos resultados de busca com IA do Google

Uma nova regra no Reino Unido permite que publicadores de notícias e outros conteúdos escolham se seus sites aparecem nos resultados de busca com inteligência artificial do Google. Essa decisão dá mais controle para quem produz conteúdo sobre como seus textos são usados. A medida pode influenciar discussões semelhantes aqui no Brasil.

RW

Rafael Willians

Fundador, Clube dos Cisnes

Publicadores do Reino Unido podem sair dos resultados de busca com IA do Google

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O que está acontecendo com o Google e as notícias?

Recentemente, a agência reguladora de concorrência do Reino Unido, a Competition and Markets Authority (CMA), anunciou que o Google vai permitir que sites de notícias e outros criadores de conteúdo do país decidam se querem ou não aparecer nos 'AI Overviews', os resumos de inteligência artificial que o Google mostra nas buscas. Isso foi revelado pelo The Verge, que explicou que a CMA estava investigando o uso de conteúdo por grandes empresas de tecnologia.

Para nós, brasileiros, isso é importante porque mostra uma discussão global sobre quem tem o direito de usar o quê na internet. Se a regra pega lá fora, ela pode acabar chegando aqui. Pense que é como se o dono de uma receita de bolo pudesse escolher se a receita dele aparece em um livro de culinária que foi 'escrito' por um robô que leu milhares de receitas.

Por que o Google está fazendo isso e o que são os 'AI Overviews'?

O Google introduziu os 'AI Overviews' como uma nova forma de responder às perguntas dos usuários. Em vez de apenas listar links para sites, a inteligência artificial do Google (que é um programa de computador que aprende com dados, como se fosse um estudante superdotado) lê várias páginas e cria um resumo, uma espécie de 'cola' que aparece logo no topo da busca. A ideia é dar a resposta direto, sem que você precise clicar em vários links.

Imagine que você pesquisa 'como fazer pão de queijo'. Antes, o Google te daria uma lista de sites com receitas. Agora, ele pode mostrar um parágrafo que já explica os ingredientes e o passo a passo, tudo resumido. Esses resumos, porém, são criados usando o conteúdo de sites existentes.

O problema é que muitos sites, principalmente os de notícias, vivem de ter pessoas clicando em seus links para ver anúncios. Se o Google já dá a resposta pronta, as pessoas não clicam nos links. Menos cliques significam menos dinheiro para esses sites. É como se um resumo de novela estragasse a audiência da própria novela. O The Verge destacou que a CMA estava atenta a essa questão, querendo garantir que os sites tenham um controle maior sobre como seu conteúdo é usado, especialmente por uma ferramenta tão poderosa quanto a IA do Google.

A CMA, que é tipo um 'fiscal' que garante que as empresas joguem limpo e não abusem de sua força no mercado, estava preocupada com o poder do Google. Eles queriam que os sites tivessem uma escolha, um 'botão de ligar e desligar' para seus conteúdos nos resumos de IA. Isso mostra que as autoridades estão começando a olhar com mais cuidado para como a inteligência artificial está mudando a forma como consumimos informação na internet. É uma discussão sobre o que é justo e quem ganha o quê nessa nova era digital.

Essa opção de 'sair' dos resumos de IA é uma tentativa de equilibrar os interesses. Por um lado, o Google quer melhorar a experiência de busca com IA. Por outro, os criadores de conteúdo querem proteger seu trabalho e sua fonte de renda. É um cabo de guerra entre inovação e direitos autorais, que são as regras que protegem quem cria algo, seja um livro, uma música ou uma notícia.

Como isso te afeta

Mesmo que você não seja um criador de conteúdo, essa discussão te afeta diretamente. Se mais sites optarem por não aparecer nos resumos de IA do Google, você pode começar a ver menos informações diretas na busca. Ou seja, em vez de ter a resposta 'mastigada' pela IA, talvez você tenha que voltar a clicar nos links para encontrar o que procura. É como se a 'cola' que a IA te dava na prova de repente ficasse mais curta ou sumisse, e você tivesse que ler o livro todo.

Além disso, essa regra no Reino Unido pode ser um 'teste'. Se funcionar bem e outros países começarem a pedir o mesmo, o Google pode ter que estender essa opção para outros lugares, inclusive o Brasil. Isso significa que as leis de proteção de conteúdo e os direitos de quem cria na internet estão evoluindo. É uma mudança importante na forma como o Google, que é um dos maiores portais de informação do mundo, interage com o conteúdo que ele mesmo não produz. No fim das contas, a forma como você usa a busca do Google e encontra informações pode mudar bastante nos próximos anos.

Essa é uma discussão que está só começando, e o que acontece no Reino Unido pode ser um espelho do que virá para o resto do mundo digital.

Fontes

  1. The Verge

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Tags: IA Clube dos Cisnes PME
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