Marketing Digital 10 de julho de 2026 · 7 min de leitura

Mais da metade dos adultos no Reino Unido já viu anúncio falso online

Mais da metade dos adultos britânicos já se deparou com um anúncio falso na internet. Agora, o regulador de comunicações do Reino Unido, o Ofcom, propôs regras para obrigar as grandes empresas de tecnologia a caçar e remover esses golpes. A conta, que hoje sobra para o usuário, pode mudar de dono.

RW

Rafael Willians

Fundador, Clube dos Cisnes

Mais da metade dos adultos no Reino Unido já viu anúncio falso online

Publicidade

Metade de um país já topou com um golpe disfarçado de propaganda

O Ofcom, que é o órgão do governo britânico responsável por fiscalizar as comunicações no Reino Unido, divulgou uma proposta nova. Segundo a BBC, ele quer criar regras que obriguem as grandes empresas de tecnologia a combaterem os anúncios fraudulentos que circulam nas plataformas delas. O dado que sustenta a decisão é forte: mais da metade dos adultos no Reino Unido já se deparou com um anúncio potencialmente falso na internet.

Pode parecer coisa distante, de outro país. Mas o mecanismo é exatamente o mesmo aqui no Brasil. Aquela promoção boa demais para ser verdade, o suposto investimento que promete dobrar seu dinheiro, o produto de marca famosa por um preço ridículo. Tudo isso aparece no meio das fotos dos amigos, entre um vídeo e outro, com cara de anúncio comum. E é aí que mora o perigo.

O que exatamente é um anúncio fraudulento

Vale explicar o termo antes de seguir. Anúncio fraudulento é a propaganda paga que finge ser legítima só para te enganar e tirar seu dinheiro ou seus dados. Ele não é um erro do sistema. É uma armadilha montada de propósito, que paga a plataforma para aparecer na sua tela.

Pense numa feira livre. O anúncio honesto é a barraca que vende a fruta que está na mão. O anúncio fraudulento é o camelô que mostra uma caixa de celular na vitrine, recebe seu dinheiro e some antes de você abrir a embalagem e descobrir que dentro só tem um tijolo. A diferença é que, na internet, esse camelô consegue montar milhares de barracas ao mesmo tempo, em todas as esquinas, e desaparecer num clique.

Os disfarces mais comuns citados no noticiário sobre o tema costumam ser três. O primeiro é a falsa promoção, com desconto absurdo em produtos que nunca chegam. O segundo é o falso investimento, que promete lucro rápido e garantido. O terceiro é o produto pirata ou inexistente vendido com foto roubada de loja de verdade. Todos têm um ponto em comum: parecem oficiais.

Por que a conta hoje sobra para você

Aqui está o coração da mudança proposta pelo Ofcom. Hoje, na prática, o trabalho de identificar o golpe é seu. A lógica das plataformas costuma ser reativa: o anúncio falso fica no ar até alguém denunciar. Ou seja, o golpe primeiro pega algumas vítimas, e só depois, talvez, é retirado.

É como se o shopping alugasse uma loja para um estelionatário e só fosse verificar quem era o inquilino depois que os clientes já tivessem sido roubados. A responsabilidade de perceber a fraude fica com quem passa na frente da vitrine, não com quem alugou o espaço e lucrou com o aluguel.

A proposta do regulador britânico quer inverter essa ordem. De acordo com a BBC, as grandes empresas de tecnologia passariam a ter o dever de agir ativamente para detectar e remover esses anúncios, em vez de ficar esperando a denúncia chegar. Traduzindo: a plataforma teria que checar quem está anunciando antes de o golpe aparecer para você, e não depois do estrago feito.

Por que mais da metade é um número que assusta

Quando a BBC informa que mais de 50% dos adultos do Reino Unido já viram um anúncio possivelmente fraudulento, o recado não é sobre gente desatenta. É sobre escala. Se mais da metade da população adulta de um país inteiro já cruzou com esse tipo de conteúdo, o problema deixou de ser exceção e virou regra do ambiente.

Isso muda o jeito de pensar. A pergunta não é mais "como eu, sozinho, fico esperto o suficiente para nunca cair". Porque mesmo a pessoa mais atenta erra num dia de cansaço, com pressa, no meio do trabalho. Quando algo atinge metade de todo mundo, a solução individual não dá conta. Precisa de uma solução na origem, lá onde o anúncio é aprovado e colocado no ar.

E é justamente isso que o número serve para justificar. O Ofcom usa esse dado para dizer, na prática, que pedir cuidado ao usuário não está funcionando. Se estivesse, o índice não seria de mais da metade da população.

O ângulo que a notícia não conta: o Brasil olha esse jogo de fora

Aqui entra uma leitura que vai além da matéria. A regra proposta vale para o Reino Unido, mas as plataformas que ela mira são as mesmas que você usa no seu celular todo dia. São empresas globais. E aqui está o ponto importante: quando um país grande obriga uma dessas gigantes a criar um sistema para filtrar anúncios falsos, esse sistema não nasce e morre dentro daquela fronteira.

Construir a tecnologia de checagem custa caro. Uma vez pronta, tende a ser reaproveitada em outros mercados, porque sai mais barato usar a mesma ferramenta do que manter uma frouxa aqui e uma rígida ali. Foi assim com regras de privacidade de dados que começaram na Europa e acabaram influenciando telas de consentimento no mundo inteiro, inclusive nas que você aperta sem ler por aqui.

Ou seja, mesmo sem lei igual no Brasil, a pressão de fora pode respingar no seu feed. Não como favor, mas como consequência prática de padronização. Esse é um efeito que a reportagem não menciona, mas que faz diferença direta para o leitor brasileiro: a briga regulatória de outro país pode acabar limpando, de tabela, a propaganda que aparece para você.

O que fazer enquanto a regra não chega

Regra proposta não é regra em vigor. Entre a ideia do Ofcom e a mudança real nas plataformas existe um caminho longo, de consultas e ajustes. Até lá, e mesmo depois, a defesa da porta de casa continua valendo. Alguns hábitos simples cortam boa parte do risco.

Desconfie de urgência. Golpe adora pressa: "só hoje", "últimas unidades", "a oferta expira em minutos". A pressa existe para você não pensar. Desconfie também de preço. Se o valor é bom demais, provavelmente é falso. Ninguém vende barato aquilo que dá lucro vendendo caro. E desconfie do caminho: antes de pagar, procure o nome da loja fora do anúncio, digite no buscador junto da palavra "reclamação" e veja se outras pessoas foram enganadas. Se quiser se aprofundar no assunto de fraudes digitais e como se proteger, vale acompanhar os conteúdos sobre segurança online aqui do blog.

Outro ponto: nunca faça login por dentro de um link que veio no anúncio. Se a promoção diz ser de um banco ou de uma loja conhecida, saia do anúncio, abra o aplicativo oficial ou digite o site você mesmo. O golpe vive de te levar pela mão até uma página falsa que copia a verdadeira.

Uma disputa sobre de quem é a culpa

No fundo, o que o Ofcom começou é uma discussão sobre responsabilidade. Durante anos, a mensagem para o usuário foi "tome cuidado". A proposta britânica sugere trocar essa frase por outra: "a plataforma que lucra com o anúncio também tem que garantir que ele não é um golpe". É uma mudança de endereço da culpa, e ela mexe com o modelo de negócio de empresas que faturam bilhões justamente vendendo espaço de propaganda.

Por isso a briga não vai ser rápida nem simples. Filtrar anúncio de golpe sem barrar o comércio honesto dá trabalho e custa dinheiro. Mas o número que abriu essa história deixa pouca margem para o debate: quando mais da metade dos adultos de um país já viu uma fraude na tela, fingir que o problema é só do usuário virou uma desculpa difícil de sustentar.

Da próxima vez que uma oferta perfeita pular no seu feed, lembre: talvez o golpe não esteja na sua falta de atenção, mas em quem deixou aquela armadilha passar pela porta.

Fontes

  1. BBC Tech

Publicidade

Proximo Passo

Quer implementar isso na sua empresa?

Converse com a equipe do Clube dos Cisnes e descubra qual solucao faz mais sentido para o seu negocio.

Conhecer Agente de IA
Tags: Marketing Digital Clube dos Cisnes PME
Voltar para o Blog

Proximo Passo

Pronto para transformar este conhecimento em resultado?

Nossa equipe ja ajudou +47 empresas a implementar solucoes de IA, automacao e marketing digital. O diagnostico e 100% gratuito.

Falar no WhatsApp