IA 28 de agosto de 2026 · 12 min de leitura

OAB Taquaritinga Promove Palestra sobre IA na Advocacia

A subseção da OAB de Taquaritinga, no interior de São Paulo, reuniu advogados para uma palestra sobre inteligência artificial aplicada ao direito. O foco foi o uso responsável da tecnologia. O tema saiu dos grandes escritórios e chegou à advocacia de bairro.

RW

Rafael Willians

Fundador, Clube dos Cisnes

OAB Taquaritinga Promove Palestra sobre IA na Advocacia
  • A OAB de Taquaritinga (SP) promoveu uma palestra sobre o uso responsável da inteligência artificial na advocacia, segundo o portal O Defensor.
  • Inteligência artificial é um programa de computador que aprende com muitos dados e executa tarefas que antes só uma pessoa fazia, como ler contratos e redigir petições.
  • O centro do debate foi a palavra responsabilidade: a IA ajuda a acelerar o trabalho, mas o advogado continua respondendo por cada erro.
  • Casos reais no mundo já mostraram advogados punidos por citar processos inventados por IA, o que reforça a urgência do tema.
  • Na leitura da Clube dos Cisnes, o movimento das OABs do interior é o sinal de que a IA jurídica virou assunto de todo advogado, não só dos grandes escritórios.

OAB de Taquaritinga leva o debate sobre IA para a advocacia do interior

A subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Taquaritinga, cidade do interior paulista, promoveu uma palestra sobre inteligência artificial aplicada à advocacia. O tema central, de acordo com o portal O Defensor, foi a utilização responsável dessa tecnologia no dia a dia jurídico. O encontro reuniu advogados locais para discutir tanto as oportunidades quanto os cuidados.

Pode parecer um evento pequeno e distante da sua vida. Não é. Quando uma OAB de cidade média para tudo para falar de inteligência artificial, isso mostra que a tecnologia deixou de ser assunto de laboratório. Ela já está batendo na porta do escritório do advogado que cuida do seu inventário, do seu divórcio ou da sua ação trabalhista. E o que muda no trabalho dele muda também no seu bolso e no seu processo.

Inteligência artificial, para deixar claro logo de início, é um tipo de programa de computador que aprende com uma montanha de exemplos e passa a executar tarefas que antes exigiam um cérebro humano. No direito, isso significa ler milhares de páginas em segundos, resumir decisões e até escrever um rascunho de petição.

O que significa usar inteligência artificial de forma responsável na advocacia?

Usar IA de forma responsável na advocacia significa tratar a máquina como uma assistente, nunca como a dona da decisão. Foi esse o ponto que a palestra da OAB de Taquaritinga colocou no centro, segundo o portal O Defensor. A tecnologia entra para acelerar o trabalho, mas a responsabilidade final continua inteira nas mãos do advogado.

Na prática, o mecanismo funciona assim. O advogado descreve um caso para o programa e pede um rascunho de petição. Em segundos, o texto aparece pronto, com aparência profissional e citações de leis. O problema é que a IA às vezes inventa. Ela pode citar um processo que nunca existiu, com número, data e tudo, porque foi treinada para soar convincente, não para dizer sempre a verdade.

Imagine um cozinheiro que recebe um ajudante rápido e cheio de boa vontade, mas que às vezes troca o sal pelo açúcar sem avisar. O prato até fica pronto mais rápido. Só que, se o chefe não provar antes de servir, o cliente recebe a receita errada. Na advocacia, esse prato errado é uma petição com jurisprudência falsa, e quem assina embaixo é o advogado, não o programa.

É por isso que o uso responsável exige uma etapa que ninguém pode pular: a conferência humana. Todo texto gerado por máquina precisa ser lido, checado e corrigido por um profissional. Quem quiser entender na prática como aplicar a tecnologia sem cair em armadilhas pode conferir nosso guia sobre as formas de usar a IA para ser mais eficiente na advocacia.

Por que um advogado pode ser punido por causa de um erro da inteligência artificial?

Um advogado pode ser punido porque a assinatura dele vale como garantia de que aquilo é verdade. Se a IA inventa uma decisão judicial e o profissional não confere, ele apresenta uma mentira ao juiz, mesmo sem querer. E a Justiça não aceita a desculpa de que a culpa foi do computador.

Esse não é um risco teórico. No exterior, já houve casos famosos de advogados multados e advertidos por tribunais depois de entregarem peças com processos totalmente inventados por ferramentas de IA. Os juízes descobriram que os precedentes citados simplesmente não existiam. O estrago para a reputação desses profissionais foi enorme, e serve de alerta para o Brasil.

Aqui entra uma discussão que vai além do erro individual: de quem é a culpa quando a máquina falha? Essa pergunta já chegou aos tribunais em outras áreas, como mostramos no caso em que se discutiu a responsabilidade de uma big tech por erros da própria IA. No direito, porém, a resposta tende a ser mais direta: o advogado é o responsável técnico pela peça, ponto final.

Pense no futebol. O técnico pode montar o time com a ajuda de um analista de dados que aponta os melhores jogadores. Mas se o time entra em campo escalado errado, quem leva a bronca da torcida e da diretoria é o técnico, não a planilha. Na advocacia, a IA é o analista de dados. O advogado é o técnico que assina a escalação.

Quais tarefas da advocacia a IA já consegue acelerar de verdade?

A IA já acelera de verdade as tarefas repetitivas e demoradas, como leitura de documentos, pesquisa de decisões e organização de provas. É nesse terreno que a tecnologia brilha, porque faz em minutos o que um estagiário faria em horas ou dias.

O primeiro grande ganho é a leitura em massa. Um processo trabalhista pode ter centenas de páginas. A IA lê tudo e destaca os pontos importantes, como datas de admissão, valores discutidos e testemunhas citadas. O advogado então parte direto para a análise estratégica, em vez de gastar a tarde inteira folheando papel.

O segundo ganho é a pesquisa de jurisprudência, que é o conjunto de decisões anteriores usadas para embasar um pedido. Em vez de digitar palavras soltas em um site de tribunal, o profissional pergunta em linguagem normal e recebe casos parecidos com o dele. O terceiro ganho é a redação de rascunhos, que dá ao advogado um ponto de partida em vez de uma tela em branco.

Vale a comparação com a novela. Antigamente, o autor escrevia cada capítulo do zero, à mão. Hoje, ele pode ter um roteiro-base gerado por computador e gastar o talento na parte que importa: os diálogos, as reviravoltas, a emoção. A IA jurídica faz o mesmo. Ela cuida do trabalho braçal para o advogado sobrar tempo na parte criativa e humana, que é convencer o juiz.

A inteligência artificial não substitui o advogado; ela expõe, com clareza, a diferença entre o profissional que apenas junta papéis e aquele que pensa a estratégia do caso.

A inteligência artificial vai tirar o emprego dos advogados?

A inteligência artificial não deve acabar com a profissão de advogado, mas vai mudar o tipo de trabalho que dá dinheiro. As tarefas mecânicas perdem valor, porque qualquer um faz rápido com um programa. Já o julgamento humano, a negociação e a confiança do cliente ficam mais valiosos.

Historicamente, foi assim com quase toda tecnologia. Quando surgiram as calculadoras, o contador não desapareceu; ele parou de somar coluna à mão e passou a interpretar os números. Quando chegou a internet, o jornal impresso encolheu, mas a demanda por informação explodiu. A IA na advocacia segue o mesmo roteiro: extingue partes do trabalho e cria outras.

Na nossa leitura, na Clube dos Cisnes, o advogado que corre risco não é o que usa IA, e sim o que se recusa a aprender. Um profissional que domina a ferramenta atende mais clientes, cobra melhor pela estratégia e entrega mais rápido. O que insiste em fazer tudo no braço vai perder cliente para o colega mais ágil, simplesmente por preço e prazo.

Esse mesmo movimento atinge outras profissões, e não só o direito. Se você quer entender o quadro geral de como a tecnologia redesenha o mercado de trabalho, vale a leitura sobre o que 200 economistas dizem sobre a IA mudar o trabalho em poucos anos.

Quais são os cuidados com sigilo e dados do cliente ao usar IA?

O cuidado número um é nunca jogar informação sigilosa do cliente em qualquer ferramenta de IA sem saber para onde esse dado vai. Muitos programas gratuitos guardam tudo o que você digita e podem usar esse conteúdo para treinar a própria máquina. No direito, isso é gravíssimo, porque o sigilo é a base da relação com o cliente.

O mecanismo do risco é simples de entender. Ao colar os detalhes de um divórcio litigioso ou de um contrato empresarial num chatbot público, o advogado pode estar expondo segredos a um servidor de outra empresa, muitas vezes fora do Brasil. É como discutir um caso confidencial em voz alta numa mesa de bar lotada: você não sabe quem está ouvindo nem o que vão fazer com aquilo.

Há ainda o risco da fraude e da manipulação, que cresce junto com a tecnologia. A mesma IA que ajuda também é usada por criminosos para falsificar provas, documentos e até vozes. Já mostramos como a sua voz pode ser clonada por IA, um golpe que pode invadir tanto a vida do cliente quanto a rotina do escritório. O advogado precisa desconfiar de áudios e imagens que chegam como prova.

Por isso, o uso responsável passa por escolher ferramentas com contrato claro de proteção de dados e por respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD, que é a norma brasileira que regula como empresas podem tratar informações pessoais. Não basta usar a IA; é preciso saber onde os dados dormem depois que você aperta enter.

A leitura da Clube dos Cisnes: por que a OAB do interior saiu na frente

Na nossa leitura, o fato mais revelador dessa notícia não é a palestra em si, e sim o lugar onde ela aconteceu. Uma OAB de cidade média, longe dos grandes centros, chamou o tema para dentro de casa. Isso mostra que a inteligência artificial jurídica parou de ser luxo de escritório de São Paulo e virou pauta obrigatória do advogado de bairro.

A nossa previsão é direta: nos próximos dois anos, o domínio de ferramentas de IA vai deixar de ser um diferencial e virará exigência básica, do mesmo jeito que saber usar computador virou obrigatório nos anos 2000. As subseções da OAB que promovem esse debate agora estão, na prática, preparando seus advogados para uma concorrência que não perdoa quem ficou parado.

Para trazer isso ao chão da pequena e média empresa brasileira, vale um exemplo ilustrativo, hipotético, baseado na experiência da Clube dos Cisnes. Imagine um pequeno escritório de dois advogados que atende comércios locais. Com a IA cuidando da leitura de contratos e de rascunhos, esse escritório consegue dobrar o número de casos analisados por semana sem contratar ninguém. A nossa estimativa, e reforçamos que é uma estimativa da CDC e não um dado de terceiros, é que o custo de entrada para um escritório pequeno começar a usar IA com responsabilidade fica na faixa de algumas centenas de reais por mês em ferramentas, valor que uma única causa bem conduzida costuma cobrir.

O outro lado da moeda é o cuidado com a implementação, que vale para qualquer negócio, não só escritórios. Adotar tecnologia sem processo e sem treinamento é receita de dor de cabeça, como detalhamos nos cuidados essenciais ao integrar a IA na sua empresa. O que vale para uma padaria vale para uma banca de advocacia: a ferramenta só ajuda quem já sabe o que quer fazer com ela.

No fim, a palestra de Taquaritinga entrega uma mensagem simples e poderosa: a inteligência artificial não é sobre robôs substituindo pessoas, é sobre pessoas preparadas substituindo pessoas despreparadas. O advogado que abraça a tecnologia com responsabilidade sai na frente. O que finge que ela não existe vai descobrir tarde demais que o jogo mudou.

Perguntas frequentes

A inteligência artificial pode substituir o advogado no processo?

Não. A IA pode redigir rascunhos, ler documentos e pesquisar decisões, mas quem assina a peça e responde por ela é o advogado. A responsabilidade legal e ética continua sendo sempre de um profissional humano inscrito na OAB, jamais da máquina.

É seguro colocar dados do meu processo em um programa de IA?

Depende da ferramenta. Muitos programas gratuitos guardam o que você digita e podem usar esse conteúdo para treinar a máquina. Por isso, informações sigilosas só devem ir para ferramentas com contrato claro de proteção de dados e que respeitem a LGPD, a lei brasileira de proteção de dados.

Por que a OAB está promovendo palestras sobre inteligência artificial?

Porque a tecnologia já faz parte do dia a dia jurídico e traz riscos reais, como petições com citações falsas geradas por IA. A OAB de Taquaritinga promoveu o debate, segundo o portal O Defensor, para orientar advogados sobre o uso responsável e evitar erros que podem gerar punições.

A IA na advocacia deixa o serviço do advogado mais barato para o cliente?

Tende a deixar mais rápido, e isso pode se refletir no preço em tarefas simples. Mas o valor real do advogado passa a estar na estratégia e no julgamento humano, que a IA não substitui. Em causas complexas, o trabalho continua exigindo tempo e experiência que a tecnologia apenas acelera, sem eliminar.

Fontes

  1. odefensor.com.br

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Tags: IA Clube dos Cisnes PME
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