IA 30 de outubro de 2026 · 11 min de leitura

Microsoft vai encerrar o Copilot nas Smart TVs

A Microsoft vai encerrar o Copilot, seu assistente de inteligência artificial, nas Smart TVs. Foi a LG quem comunicou os clientes sobre o fim do recurso. Quem usava o assistente na tela vai perder o acesso, e não há substituto à vista.

RW

Rafael Willians

Fundador, Clube dos Cisnes

Microsoft vai encerrar o Copilot nas Smart TVs
  • A Microsoft vai desligar o Copilot, seu assistente de inteligência artificial, das Smart TVs que o traziam de fábrica.
  • Foi a LG, e não a Microsoft, quem avisou os clientes de que o recurso será descontinuado.
  • Quem usava o Copilot na televisão vai simplesmente perder o acesso: a função deixará de abrir.
  • Não há substituto anunciado; a orientação, segundo a Tecmundo, é aguardar novos comunicados da fabricante da sua TV.
  • Assistentes de IA colados ao hardware já foram aposentados antes, e esse padrão se repete aqui.

O que a Microsoft e a LG anunciaram sobre o Copilot nas Smart TVs?

A Microsoft decidiu encerrar o Copilot, o seu assistente de inteligência artificial, nos aparelhos de Smart TV que vinham com o recurso instalado, entre eles modelos da LG. De acordo com a Tecmundo, foi a própria LG quem comunicou os usuários sobre a descontinuação, ou seja, quem fabrica a televisão avisou que o serviço da Microsoft vai parar de funcionar. Não foi anunciada uma data única e definitiva, nem um substituto para ocupar o lugar do assistente.

Pode parecer um detalhe técnico distante, mas ele mexe com algo concreto. Milhares de brasileiros compraram televisões nos últimos anos justamente pela promessa de que elas seriam "inteligentes". Quando uma marca liga um recurso de IA na propaganda e depois desliga sem aviso longo, a conta de confiança fica no colo de quem pagou pelo aparelho. É sobre isso que vale a pena conversar: não apenas o que é o Copilot, mas o que significa comprar uma tecnologia que pode sumir de uma atualização para a outra.

O que é o Copilot e por que ele estava dentro da televisão?

O Copilot é o assistente de inteligência artificial da Microsoft, um programa que entende perguntas em linguagem comum e responde com texto, ideias ou resumos, parecido com o ChatGPT. A Microsoft lançou a marca Copilot em 2023 e passou a espalhá-la por todos os seus produtos, do Windows ao pacote Office. A ideia era simples: colocar um ajudante de IA em cada tela que a empresa alcançasse.

A televisão entrou nessa lista. Em algumas Smart TVs, o Copilot aparecia como um aplicativo ou atalho para tirar dúvidas, pedir sugestões do que assistir ou fazer perguntas gerais usando o controle remoto ou a voz. Na prática, era o mesmo tipo de assistente que muita gente já conhece no celular, só que projetado para a tela grande da sala. Esse mesmo Copilot é o que a Microsoft já usa para fazer tarefas no Excel sem você saber fórmulas, o que mostra o tamanho da aposta da empresa em estar presente em todo canto.

Imagine que você chega do trabalho, senta no sofá e, em vez de digitar no buscador do celular, fala com a TV: "me dá ideias de jantar rápido" ou "resume a novela de ontem". Era mais ou menos essa a proposta. O problema é que colocar um assistente em um lugar não garante que as pessoas vão usá-lo ali, e esse descompasso entre a promessa e o hábito real está no centro da decisão da Microsoft.

O que acontece com quem usa o Copilot na TV agora?

Quem usa o Copilot na televisão vai perder o acesso ao assistente: a função simplesmente vai deixar de abrir. Segundo a Tecmundo, a Microsoft encerra o serviço nesses aparelhos e a LG já avisou os clientes de que o recurso será retirado. Não é um defeito nem um problema no seu aparelho; é uma decisão da fabricante do software.

Na prática, o botão ou o aplicativo continua existindo até a atualização que o remove, e depois ele some ou para de responder. O resto da televisão segue funcionando normalmente: canais, aplicativos de streaming, controle por voz do próprio fabricante, tudo isso continua. O que acaba é especificamente o assistente de IA da Microsoft dentro daquela tela.

E o substituto? Não há. A orientação repassada é aguardar novos comunicados da fabricante da sua TV. Para o consumidor, isso cria uma sensação incômoda de recurso órfão, aquele que você usou por um tempo e depois descobriu que não pode mais contar com ele. Vale aqui uma observação importante para não entrar em pânico: o fim do Copilot na TV não afeta o Copilot no computador nem no celular, que seguem ativos e, aliás, continuam recebendo novidades, como quando a Microsoft passou a colocar o Grok, a IA de Elon Musk, dentro do Copilot.

Por que a Microsoft desistiu de colocar o Copilot na sua sala?

A resposta mais provável é a mais simples: quase ninguém estava usando. Um assistente de IA na televisão parece bonito no anúncio, mas o comportamento das pessoas na sala é outro. Na hora de perguntar algo, a mão vai ao celular, que já está do lado, é pessoal e tem teclado. Falar com a TV na frente da família, esperando o controle remoto entender, é desconfortável para a maioria.

Esse filme a Microsoft já viu antes. A empresa manteve por anos a Cortana, uma assistente de voz que prometia estar em todo lugar, e acabou encerrando a versão para consumidores em 2023 por falta de adesão. Quando uma função não vira hábito, mantê-la custa dinheiro em servidores, suporte e atualizações sem retorno. Desligar vira decisão de negócio, não de tecnologia. É a mesma lógica de uma novela: personagem que não engaja a audiência é escrito para fora da trama, por mais caro que tenha sido o elenco.

Há ainda uma camada estratégica. A Microsoft parece estar recolhendo o Copilot para onde ele realmente rende, o trabalho e a produtividade, em vez de pulverizá-lo por aparelhos onde ele vira enfeite. Entender essa diferença ajuda, e por isso vale a leitura sobre o que separa um assistente de um agente de IA: um responde quando você chama; o outro executa tarefas. Na TV, o Copilot nunca passou de assistente de recados, e recado a gente dá pelo celular.

Quem ganha e quem perde com o fim do assistente na TV?

Quem perde, em primeiro lugar, é o consumidor que comprou a televisão acreditando naquele diferencial e agora o vê evaporar. Mesmo que pouca gente usasse, a sensação de ter pago por algo que foi retirado é real, e corrói a confiança na próxima promessa de "TV inteligente". A LG, que teve de avisar os clientes, também fica em posição ingrata: carregou o recado de uma decisão que não foi dela.

Do outro lado, quem ganha é a própria Microsoft, que corta um custo sem retorno e concentra energia onde a IA gera receita. Ganham, de certa forma, os assistentes já enraizados na TV, como os sistemas de voz dos próprios fabricantes e os assistentes do Google e da Amazon, que continuam disponíveis em muitos aparelhos. Enquanto a Microsoft recua da sala, esses concorrentes seguem no páreo, o que mostra que o problema não é a TV em si, e sim a estratégia de cada empresa.

Há também um ganho silencioso para o mercado como um todo: cada recuo desses ensina onde a IA faz sentido e onde não faz. A inteligência artificial vive uma fase de ajuste de foco, deixando de ser enfeite para virar ferramenta que resolve algo concreto, movimento que já comentamos ao analisar como a IA entrou em nova fase e o foco agora é você, o cliente.

No Clube dos Cisnes, entendemos que a inteligência artificial só se fixa onde resolve um problema que a pessoa já tinha; onde é só enfeite na vitrine, ela é a primeira coisa a ser desligada.

Isso significa que a inteligência artificial saiu da sua televisão para sempre?

Não. A IA não saiu da televisão; saiu uma tentativa específica, o Copilot da Microsoft nesse formato. A televisão continua recheada de inteligência artificial que você nem percebe, e é aí que mora a diferença entre enfeite e utilidade de verdade.

Pense na IA que já funciona na tela sem pedir licença: o sistema de recomendação que sugere o próximo episódio, o ajuste automático de imagem que melhora o brilho conforme a cena, a busca por voz que encontra um filme pelo nome do ator. Nada disso exige que você "converse" com a TV. A IA trabalha nos bastidores, como um bom garçom que repõe a água sem você chamar. Esse é o modelo que vinga: invisível e no momento certo.

O que falhou foi o formato de assistente que exige iniciativa do usuário na sala de estar. É como a diferença entre o GPS que recalcula a rota sozinho no trânsito e um que exige que você pare o carro para digitar cada esquina. O primeiro virou hábito de milhões; o segundo ninguém aguenta. A previsão razoável é que a IA na TV volte, mas embutida nas funções, não como um aplicativo separado que você precisa abrir e consultar.

A leitura do Clube dos Cisnes: por que apostar na tela da sala foi cedo demais

Na nossa leitura, o fim do Copilot na TV não é notícia de fracasso da inteligência artificial, e sim de maturidade do mercado. As empresas estão aprendendo, na marra, que distribuir um assistente por toda superfície com tela não cria uso; cria custo. A tese do Clube dos Cisnes é direta: a IA que sobrevive é a que se encaixa num hábito que já existe, não a que tenta inventar um hábito novo no lugar errado.

A implicação original aqui é sobre confiança, e ela vale para qualquer negócio, não só para a Microsoft. Quando você promete um recurso e depois o retira, o cliente não esquece. Para pequenas e médias empresas brasileiras, o recado é prático e vale ouro: cuidado ao prometer "temos inteligência artificial" só para parecer moderno. Se o recurso não resolve algo real para o cliente, ele vira peso morto, e tirá-lo depois machuca mais a marca do que nunca tê-lo colocado.

Como estimativa da CDC, com base na nossa experiência acompanhando pequenos negócios, ligar um chatbot de IA no atendimento de uma PME costuma custar algo entre poucas dezenas e algumas centenas de reais por mês, dependendo do volume de conversas. É pouco em dinheiro, mas o custo real aparece quando o recurso é mal pensado. Para ilustrar, de forma hipotética: imagine um pequeno comércio de bairro que coloca um atendente de IA no site só para "estar na moda", sem treiná-lo com as dúvidas reais dos clientes. Em poucas semanas, as pessoas desistem de usar porque ele não responde o que importa, e o dono desliga tudo, exatamente como a Microsoft está desligando o Copilot da TV. A lição é a mesma em qualquer escala: IA sem propósito claro é a primeira a cair.

Nossa previsão fundamentada: nos próximos anos, veremos menos "assistentes de IA" avulsos em aparelhos e mais inteligência artificial costurada por dentro das funções que já usamos. A pergunta deixará de ser "onde posso enfiar um assistente?" e passará a ser "qual tarefa chata eu posso fazer a IA resolver sem o usuário perceber?". Quem acertar essa pergunta fica; quem só decora a vitrine, desliga mais cedo ou mais tarde.

No fim, o Copilot não morreu: ele apenas desceu do sofá e voltou para a mesa de trabalho, onde sempre foi mais útil. A televisão nos lembrou de uma verdade simples: tecnologia que ninguém pediu é a primeira a ser desligada.

Perguntas frequentes

O Copilot vai parar de funcionar em todas as Smart TVs?

A Microsoft vai encerrar o Copilot nos aparelhos de Smart TV que traziam o recurso, entre eles modelos da LG, que já avisou os clientes. O assistente deixará de abrir nessas televisões. A medida é da Microsoft, dona do software, e não um defeito do seu aparelho.

Vou perder o Copilot também no computador e no celular?

Não. O encerramento vale apenas para o Copilot dentro das Smart TVs. No computador, no navegador e no aplicativo de celular, o Copilot continua funcionando normalmente e seguindo em desenvolvimento pela Microsoft.

Existe um substituto para o Copilot na minha TV?

Até agora não há substituto anunciado. A orientação é aguardar novos comunicados da fabricante da sua televisão. Enquanto isso, recursos de IA que já vêm embutidos na TV, como recomendações e busca por voz do próprio sistema, seguem funcionando.

Por que a Microsoft está retirando o Copilot da televisão?

A explicação mais provável é a baixa adesão: pouca gente usa um assistente de IA na sala, preferindo o celular. Manter o serviço custa dinheiro sem retorno, o que torna o encerramento uma decisão de negócio. A empresa já havia feito algo parecido ao aposentar a assistente Cortana para consumidores em 2023.

Fontes

  1. Tecmundo BR

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Tags: IA Clube dos Cisnes PME
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