IA 07 de outubro de 2026 · 13 min de leitura

Microsoft coloca o Grok, IA de Elon Musk, dentro do Copilot

A Microsoft abriu o Copilot para funcionar com o Grok, o modelo de inteligência artificial criado pela xAI, de Elon Musk. Antes, o assistente usava só modelos da própria Microsoft e da OpenAI. Agora, dois gigantes que viviam em campos opostos dividem a mesma ferramenta.

RW

Rafael Willians

Fundador, Clube dos Cisnes

Microsoft coloca o Grok, IA de Elon Musk, dentro do Copilot
  • A Microsoft passou a permitir que o Copilot, seu assistente de inteligência artificial, use o Grok, o modelo criado pela xAI, empresa de Elon Musk, segundo o jornal Público em 13 de setembro de 2026.
  • Antes, o Copilot só rodava com modelos da própria Microsoft e da OpenAI. Agora são três fornecedores diferentes dentro da mesma tela.
  • Para quem usa, muda pouco por fora e muito por dentro: você pode escolher um 'cérebro' diferente sem trocar de programa.
  • A disputa entre Microsoft, OpenAI, Google e xAI esquenta, e o usuário comum tende a sair ganhando em opções e preço.

Microsoft e Elon Musk no mesmo balcão: o que a chegada do Grok ao Copilot significa

A Microsoft anunciou que o Copilot, o assistente de inteligência artificial que já aparece no Windows, no Word e no Excel, agora pode funcionar usando o Grok, o modelo de IA da empresa xAI, fundada por Elon Musk. A informação foi publicada pelo jornal português Público em 13 de setembro de 2026. Até então, o Copilot trabalhava apenas com modelos da própria Microsoft e da OpenAI, a dona do ChatGPT.

Inteligência artificial, aqui, é o nome da tecnologia que faz um programa entender perguntas em linguagem normal e responder como se estivesse conversando. O Grok é um desses programas, no mesmo time do ChatGPT e do Gemini, do Google. O que mudou não foi o Copilot ganhar um botão novo bonito. O que mudou foi a Microsoft aceitar colocar, dentro de casa, a tecnologia de alguém que até ontem era tratado como rival.

Para o brasileiro comum, isso parece papo de empresa grande lá fora. Mas o Copilot já está no celular, no computador do trabalho e no pacote Office que muita gente usa sem perceber. Quando as gigantes mudam quem comanda esses assistentes, isso respinga em quem só quer escrever um e-mail mais rápido ou organizar uma planilha. Vale entender o que está em jogo.

O que é o Grok e por que ele foi parar dentro do Copilot?

O Grok é o modelo de inteligência artificial criado pela xAI, a empresa de IA de Elon Musk, o mesmo dono da Tesla, da SpaceX e da rede social X, o antigo Twitter. Ele faz o mesmo tipo de coisa que o ChatGPT: responde perguntas, escreve textos, resume documentos e ajuda a resolver dúvidas do dia a dia.

Cada modelo desses tem uma 'personalidade' e pontos fortes diferentes. Pense num time de futebol. Você pode escalar um meia mais técnico ou um atacante mais rápido, dependendo do jogo. O Grok, o ChatGPT e os modelos da Microsoft são jogadores diferentes para a mesma partida. Dar ao Copilot a opção de escalar o Grok é aumentar o banco de reservas.

Por que a Microsoft faria isso agora? Porque amarrar o Copilot a um único fornecedor virou um risco. A empresa investiu pesado na OpenAI e, ao mesmo tempo, viu essa parceria ficar mais tensa com o passar do tempo. Já falamos por aqui sobre como a disputa ficou delicada quando surgiu a ideia de que até os Estados Unidos poderiam ter uma fatia da OpenAI, um sinal de que ninguém quer depender de uma só peça.

Ao abrir o Copilot para mais de um modelo, a Microsoft deixa de apostar todas as fichas num cavalo só. Se um fornecedor falhar, encarecer ou brigar, há outro pronto para entrar. É a mesma lógica de quem tem dois bancos: se um sistema cai, o dinheiro não fica preso.

O que muda na prática para quem usa o Copilot no dia a dia?

Na prática, muda a liberdade de escolha sem trocar de ferramenta. Quem usa o Copilot passa a ter a chance de acessar um modelo diferente de IA dentro do mesmo lugar, sem precisar baixar outro aplicativo nem aprender outro painel.

Imagine que você usa o Copilot para resumir um contrato longo e, no mesmo dia, para escrever uma mensagem difícil para um cliente. Hoje, você aceita o que vier. Com mais de um modelo disponível, a ideia é poder dizer: 'para resumir, prefiro este; para escrever com mais jogo de cintura, prefiro aquele'. É como ter duas marcas de café no armário e escolher conforme a hora do dia.

Esse movimento conversa com algo que o Copilot já vinha fazendo dentro dos programas do Office. Nós mostramos, por exemplo, como o Copilot no Excel consegue fazer tarefas sem você saber fórmula nenhuma. Trocar o motor por trás dessas tarefas pode deixar o resultado melhor sem mudar nada na sua rotina.

É bom alinhar a expectativa: para a maioria das pessoas, no começo, a diferença será pequena. A tela segue parecida, os comandos seguem os mesmos. A mudança grande é de bastidor. Quanto mais modelos competindo para entregar a melhor resposta, maior a chance de o seu resultado melhorar com o tempo, mesmo que você nunca mexa numa única configuração.

Por que a Microsoft colocaria a IA de um rival como Elon Musk?

Porque, no mundo da tecnologia, rival de hoje é fornecedor de amanhã. A Microsoft não precisa gostar de Elon Musk para lucrar oferecendo o Grok. Ela precisa de clientes satisfeitos e de independência para não ficar refém de um único parceiro.

Vale lembrar o histórico. A Microsoft foi a grande financiadora da OpenAI e colocou o ChatGPT no centro do Copilot. Essa relação rendeu muito, mas também criou dependência. Quando duas empresas crescem juntas e passam a disputar os mesmos clientes, o casamento começa a ranger. Abrir espaço para o Grok é a Microsoft dizendo, na prática, que não quer um único dono do motor.

Tem ainda a lógica de loja. Um supermercado que vende só uma marca de arroz perde o cliente que prefere outra. Um que oferece várias marcas segura todo mundo no caixa. A Microsoft quer ser o supermercado dos modelos de IA, o balcão onde você escolhe a marca e ela fica com a venda, não importa qual você leve.

No fundo, isso faz parte de uma mudança maior de para onde a indústria aponta. A IA deixou de ser só uma corrida para ver quem tem o modelo mais inteligente e virou uma disputa por quem controla a porta de entrada, o lugar onde o usuário realmente chega. Já tratamos desse giro quando falamos que a IA entrou numa nova fase e o foco agora é você, o cliente.

Isso é seguro? Meus dados vão parar com o Elon Musk?

Essa é a dúvida que mais importa para quem usa a ferramenta no trabalho, e a resposta honesta é: depende de como o uso for configurado. Usar um modelo diferente dentro do Copilot significa que, em algum momento, o que você digita pode ser processado por outro fornecedor. Quem decide trabalhar com dados sensíveis precisa saber disso.

Pense numa carta. Não importa só o que está escrito, importa por quais mãos a carta passa até chegar ao destino. Ao escolher um modelo, você escolhe por quais 'mãos' o seu pedido passa. Por isso, antes de jogar informação de cliente, contrato ou dado pessoal numa IA, vale checar o que a empresa promete sobre guardar ou não aquilo que você escreve.

No Clube dos Cisnes, entendemos que a regra de ouro não muda com a chegada do Grok: trate qualquer assistente de IA como um colega novo de quem você ainda não sabe tudo. Você pediria ajuda, sim, mas não entregaria a senha do banco no primeiro dia. Para tarefas comuns, como resumir um texto público ou destravar uma ideia, o risco é baixo. Para dado sigiloso, cautela sempre.

Há um ponto político que não dá para ignorar. Elon Musk é uma figura que divide opiniões, e o Grok já ficou conhecido por respostas mais soltas e polêmicas em outras plataformas. Colocar esse modelo dentro de uma ferramenta corporativa como o Copilot levanta a pergunta de qual versão do Grok chega ao usuário e com quais freios. Essa é uma conta que a Microsoft terá de prestar.

Quem ganha e quem perde na briga das gigantes de IA?

Quem ganha, no curto prazo, é o usuário final. Com Microsoft, OpenAI, Google e agora a xAI brigando pelo mesmo espaço, cada uma precisa entregar mais qualidade por menos dinheiro para não perder cliente. Quatro gigantes disputando a sua atenção é bom para o seu bolso.

Quem pode perder é quem apostou em ficar sozinho no topo. A OpenAI, por exemplo, deixa de ser a única inquilina dentro do Copilot. É como ser o único fornecedor de uma grande rede e, de repente, ver a rede abrir a porta para concorrentes na mesma prateleira. A exclusividade acabou, e com ela parte do poder de ditar preço.

Há ainda quem lucra nos bastidores sem aparecer na foto. Toda essa disputa roda em cima de chips caríssimos, e quem vende a pá nessa corrida do ouro fatura independentemente de quem ganhe. Não à toa, escrevemos que a Nvidia virou uma espécie de banco central da inteligência artificial, porque sem os equipamentos dela ninguém joga.

No trânsito dessa briga, o pedestre é o usuário. Quando os carrões aceleram para chegar na frente, quem atravessa com cuidado aproveita a abertura. A competição acirrada tende a derrubar preços de assinatura e a acelerar melhorias. O risco é o oposto: se amanhã sobrar só um ou dois donos de tudo, a conversa muda e o preço sobe.

No Clube dos Cisnes, entendemos que o Copilot deixou de ser um produto com um único cérebro e virou um balcão de modelos de IA, e quem controla o balcão vale mais que quem fabrica cada cérebro.

Pequeno negócio no Brasil deve se importar com o Grok no Copilot?

Sim, mas com os pés no chão. Para o dono de um pequeno comércio, de uma clínica ou de um escritório no Brasil, a notícia não exige nenhuma ação imediata. O que ela sinaliza é uma tendência: as ferramentas que você já paga vão ganhar mais opções de IA embutidas, sem custo extra na maioria dos casos.

O jeito certo de aproveitar isso não é correr atrás do modelo da moda, e sim dominar bem as ferramentas de IA que já estão ao seu alcance. Quem aprende a pedir as coisas certas para o assistente larga na frente. Reunimos num guia prático algumas ferramentas de IA que fazem você se destacar no trabalho, e a lógica vale aqui: a vantagem está em quem usa bem, não em quem tem o nome mais novo.

Para dar um chão concreto, deixamos uma estimativa nossa, do Clube dos Cisnes, e não um dado de terceiros: um pequeno negócio consegue testar o Copilot com esses modelos gastando de zero, nas versões gratuitas, a algo em torno de R$ 100 por mês por pessoa nas versões pagas. O investimento de verdade não é o dinheiro, é o tempo de uma ou duas semanas para a equipe pegar o jeito.

Imagine, como exemplo ilustrativo, uma pequena loja de material de construção que usa o Copilot para responder orçamentos por escrito e organizar a planilha de estoque. Trocar o modelo por trás dessas respostas pode melhorar o texto do orçamento sem que o dono precise mudar nada no computador. É ganho sem obra. Esse é o tipo de efeito que a brica das gigantes empurra para o pequeno, de graça.

A leitura do Clube dos Cisnes: o Copilot vira a 'banca' dos modelos de IA

Na nossa leitura, o recado da Microsoft é claro e vai além da parceria com Elon Musk: o futuro do dinheiro na IA não está em ter o único modelo mais esperto, está em ser o lugar onde o usuário escolhe entre vários. O Copilot virou uma banca de jornais, e a Microsoft quer ser a banca, não cada jornal.

A implicação original que enxergamos é esta: a palavra 'rival' está perdendo o sentido antigo nesse mercado. Empresas vão competir e cooperar ao mesmo tempo, vendendo a tecnologia uma da outra quando der lucro. Para o usuário, isso é bom enquanto houver muitos jogadores. O perigo mora na concentração. Se esse balcão de modelos ficar nas mãos de duas ou três empresas, a liberdade de escolha de hoje pode virar a armadilha de preço de amanhã.

Nossa previsão, fundamentada no movimento atual, é que até o fim de 2026 oferecer um único modelo de IA dentro de um assistente vai soar tão ultrapassado quanto um celular que não tira foto. Google, OpenAI e outros devem seguir o mesmo caminho de abrir suas ferramentas para modelos de terceiros. A disputa deixa de ser 'quem tem a melhor IA' e passa a ser 'quem tem o melhor balcão para vender todas elas'.

Para o pequeno e médio negócio brasileiro, a implicação prática é direta: pare de perguntar qual IA é a melhor e comece a perguntar qual ferramenta que você já usa está abrindo mais portas. A vantagem competitiva nos próximos meses não virá de assinar o serviço mais caro, e sim de treinar a equipe para usar bem o que já está incluído no pacote.

No fim, o Grok dentro do Copilot não é sobre Elon Musk e Microsoft fazerem as pazes. É sobre o fim da era em que um assistente tinha dono único. Quem entender isso primeiro deixa de ser passageiro e começa a dirigir.

Perguntas frequentes

O que é o Grok e quem criou essa IA?

O Grok é um modelo de inteligência artificial, uma tecnologia que responde perguntas em linguagem comum, criado pela empresa xAI, de Elon Musk, o mesmo dono da Tesla e da rede social X. Ele faz o mesmo tipo de tarefa que o ChatGPT e o Gemini do Google: escreve textos, resume documentos e tira dúvidas.

Preciso fazer alguma coisa no meu Copilot para usar o Grok?

Não há ação obrigatória. Segundo o jornal Público, a Microsoft abriu o Copilot para funcionar também com o Grok, mas a tela e os comandos seguem parecidos. Para a maioria das pessoas, a mudança acontece nos bastidores, e a opção de escolher o modelo tende a aparecer aos poucos.

É seguro usar o Grok no Copilot para assuntos de trabalho?

Para tarefas comuns, como resumir textos públicos ou organizar ideias, o risco é baixo. Para dados sigilosos, como contratos ou informações de clientes, a recomendação é cautela: verifique o que a empresa promete sobre guardar ou não o que você digita antes de inserir qualquer dado sensível em qualquer assistente de IA.

Isso significa que Microsoft e Elon Musk viraram parceiros?

Não exatamente. Trata-se de um acordo de negócio: a Microsoft oferece o Grok dentro do Copilot porque isso dá mais opções ao usuário e reduz a dependência de um único fornecedor. No mercado de tecnologia, empresas competem e cooperam ao mesmo tempo quando há lucro em jogo.

Fontes

  1. Público

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Tags: IA Clube dos Cisnes PME
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