- Em agosto de 2026, no comício de Brumado, o governador da Bahia Jerônimo Rodrigues antecipou a crítica de que 'não tinha gente' e mirou o plano de governo do opositor, segundo o Blog do Valente.
- O alvo central da fala foi o uso de inteligência artificial (IA) na elaboração do plano de governo do adversário.
- Inteligência artificial é o programa de computador que imita tarefas humanas, como escrever textos e organizar propostas.
- O episódio inaugura um debate novo na política baiana: até onde vale usar a máquina para redigir promessas de campanha?
- Na leitura da Clube dos Cisnes, atacar a ferramenta desvia do que de fato importa, que é saber quem assina e responde pelo conteúdo.
Jerônimo lota comício em Brumado e já rebate quem vai dizer que não tinha gente
Em agosto de 2026, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, subiu ao palanque em Brumado, cidade do sudoeste baiano, e resolveu responder antes mesmo de ser criticado. De acordo com o Blog do Valente, ele avisou que os adversários 'vão dizer que não tinha gente', numa referência direta ao hábito de minimizar o tamanho do público em atos de campanha. No mesmo discurso, o governador foi à ofensiva e criticou o plano de governo do opositor por ter sido feito com ajuda de inteligência artificial.
Antes de seguir, vale explicar o termo. Inteligência artificial, ou IA, é o tipo de programa de computador treinado para imitar tarefas que antes só uma pessoa fazia, como escrever um texto, resumir uma ideia ou montar uma lista de propostas. O ChatGPT, que muita gente já ouviu falar, é um exemplo dessa tecnologia. Ou seja, quando Jerônimo fala em plano de governo feito com IA, ele se refere a propostas escritas com o apoio de uma dessas ferramentas.
Por que isso importa para você, que talvez nem acompanhe a política baiana de perto? Porque o que aconteceu em Brumado é um sinal do que vem por aí no Brasil inteiro. A IA deixou de ser assunto de gente da tecnologia e chegou ao palanque. A partir de agora, o eleitor vai precisar entender não só o que os candidatos prometem, mas também como essas promessas foram escritas. E essa é uma discussão que vai muito além da Bahia.
O que Jerônimo disse sobre o público e a oposição no comício?
Jerônimo Rodrigues usou o palanque para se antecipar às críticas e partir para o ataque. Segundo o Blog do Valente, o governador brincou que os adversários diriam que o comício estava vazio, numa tentativa de tirar força do argumento antes que ele fosse usado. É uma tática antiga de campanha: quando você mesmo levanta a crítica, ela perde o efeito surpresa na boca do adversário.
Funciona como aquela novela em que o personagem confessa o segredo primeiro para não ser chantageado depois. Ao dizer 'vão falar que não tinha gente', o governador tenta controlar a narrativa e transformar uma possível fraqueza em piada. É um recurso de retórica, não um dado. Nenhum número oficial de público foi apresentado na fala relatada pela fonte, e por isso não dá para afirmar quantas pessoas realmente estavam ali.
O ponto que interessa à nossa análise vem logo depois. Ao rebater a oposição, Jerônimo escolheu um alvo específico e moderno: o uso de inteligência artificial no plano de governo do opositor. Não foi um ataque genérico ao adversário. Foi um ataque à forma como o adversário produziu suas propostas. E é justamente aí que o comício de Brumado deixa de ser mais um episódio de campanha e vira um caso para entender a política dos próximos anos.
Por que o governador critica o uso de IA no plano de governo do opositor?
Jerônimo critica porque quer passar uma mensagem simples ao eleitor: um plano feito por máquina não conheceria a realidade da Bahia. Segundo o Blog do Valente, o governador usou o uso de IA pelo adversário como prova de distanciamento, de quem promete de longe sem pisar no chão do interior. É um argumento emocional e eficaz num palanque de cidade pequena.
O raciocínio por trás do ataque é o seguinte. Um plano de governo deveria nascer da escuta das pessoas, das visitas às cidades, das conversas com quem sofre com a falta de água ou de emprego. Quando o candidato admite que usou IA para redigir o documento, o adversário aproveita para insinuar que faltou esse contato humano. A crítica não é técnica, é política. Ela transforma uma ferramenta de escritório em símbolo de descaso.
Aqui entra um erro comum que muita gente comete ao ouvir esse tipo de fala. Usar IA para organizar um texto não significa que a pessoa não pensou. É como usar uma calculadora: a conta continua sendo sua responsabilidade, a máquina só agiliza. O problema nunca é a ferramenta, e sim quem a usa sem revisar. Um plano de governo pode ser escrito com IA e ainda assim refletir anos de estudo, ou pode ser escrito à mão e estar cheio de promessas vazias.
Vale lembrar que esse tipo de disputa já apareceu em outras frentes da política brasileira. A discussão sobre o que é permitido e o que é proibido com IA nas urnas está apenas começando, como mostramos no artigo sobre o que a Justiça Eleitoral permite e pune no uso de IA nas eleições de 2026. O comício de Brumado é um capítulo dessa história maior.
Usar inteligência artificial para escrever um plano de governo é errado?
Não, usar IA para escrever um plano de governo não é errado por si só. O que importa é a transparência e a revisão humana por trás do documento. A ferramenta pode ajudar a organizar ideias, corrigir texto e resumir propostas, mas a responsabilidade pelo conteúdo continua sendo inteiramente do candidato e da equipe que assina.
Pense na cozinha de um restaurante. O liquidificador ajuda a preparar o molho mais rápido, mas quem decide o tempero, prova o prato e coloca o nome na porta é o chef. Se o molho sai ruim, a culpa não é do aparelho. Com a IA acontece o mesmo. Ela mistura e organiza, mas o sabor final, ou seja, a qualidade e a honestidade das propostas, depende de quem está no comando.
O risco real não está em usar a máquina, e sim em usá-la mal. A IA pode escrever um texto bonito que não cabe no orçamento do estado, ou repetir promessas genéricas que servem para qualquer cidade do país. Se ninguém revisa, o plano vira uma peça vazia com aparência profissional. E é esse ponto, e não o fato de a IA ter sido usada, que o eleitor deveria cobrar de qualquer candidato.
Na política, o problema nunca foi a ferramenta que escreve o plano de governo, e sim a pessoa que assina embaixo sem ler o que a máquina produziu.
A IA pode inventar promessas que não cabem no orçamento?
Sim, a IA pode gerar propostas que soam ótimas no papel, mas que não têm dinheiro nem viabilidade para acontecer. Isso ocorre porque essas ferramentas foram treinadas para produzir textos convincentes, e não para checar se cada promessa cabe no cofre público. Elas escrevem bem, mas não conferem a conta.
Existe um fenômeno conhecido no mundo da tecnologia chamado 'alucinação'. É quando a IA afirma com toda a segurança algo que não é verdade ou que não existe. No contexto de um plano de governo, isso pode virar uma meta impossível apresentada como certeza, um número inventado ou uma proposta que ignora a realidade financeira do estado. Se a equipe não revisa com cuidado, o erro passa despercebido e chega ao eleitor como se fosse compromisso firme.
Imagine que um plano de governo prometa construir dezenas de hospitais em quatro anos, sem dizer de onde sairá o dinheiro. Uma IA consegue redigir essa promessa em segundos, com linguagem impecável. O eleitor lê, se anima, e só depois descobre que a conta nunca fechou. Por isso, mais do que perguntar se houve IA, o cidadão deveria perguntar se as promessas têm orçamento por trás. Essa é a checagem que realmente protege o voto.
Isso muda o seu voto nas eleições de 2026?
Muda no sentido de que você ganha um novo critério para avaliar os candidatos: a honestidade sobre como as propostas são feitas. Nas eleições de 2026, saber se um plano foi escrito com ajuda de IA importa menos do que saber se aquele plano é realista e se o candidato assume o que promete.
Para o eleitor comum, que lê tudo no celular no intervalo do trabalho, o conselho prático é simples. Desconfie de plano de governo com promessas redondas demais e sem prazo ou fonte de recurso. Desconfie também de candidato que ataca a tecnologia do adversário, mas não explica as próprias contas. O ataque à IA pode ser só uma cortina de fumaça para não falar do que interessa.
Há ainda um detalhe que costuma escapar. Quase todo mundo hoje usa alguma forma de IA sem perceber, do corretor do teclado ao filtro de spam do e-mail. Cobrar um candidato por usar IA, enquanto se usa a mesma tecnologia todo dia, é uma incoerência que o eleitor atento consegue identificar. O que separa o bom do mau uso é a transparência, e não a ferramenta em si.
O que outros países fazem com IA na política?
Em vários países, o debate já saiu do palanque e virou regra. Governos e tribunais eleitorais pelo mundo têm discutido como marcar conteúdos feitos por IA e como punir o uso enganoso, principalmente quando a tecnologia cria vídeos ou áudios falsos de candidatos. A tendência global não é proibir a ferramenta, e sim exigir clareza sobre quando ela foi usada.
Nos Estados Unidos e na União Europeia, por exemplo, o foco das novas regras é a chamada desinformação, ou seja, o uso de IA para enganar o eleitor com imagens e falas fabricadas. O Brasil segue caminho parecido, com a Justiça Eleitoral discutindo limites para o uso da tecnologia em campanha. Nesse cenário, escrever um plano de governo com IA é algo bem menos grave do que criar um vídeo falso de um adversário.
Essa comparação ajuda a colocar o comício de Brumado em perspectiva. Enquanto o mundo debate como conter o uso perigoso da IA, a fala de Jerônimo trata de um uso relativamente inofensivo, que é a redação de propostas. Isso não significa que a crítica seja irrelevante. Significa que ela mira num ponto secundário de um debate muito maior, que vai dominar as campanhas dos próximos anos no Brasil e no exterior.
Na leitura da Clube dos Cisnes: mirar na ferramenta erra o alvo
Na Clube dos Cisnes, entendemos que atacar a IA em um plano de governo é um argumento de curto prazo que tende a envelhecer rápido. A nossa tese é direta: em pouco tempo, quase todos os planos de governo serão escritos com apoio de inteligência artificial, assim como quase todo documento hoje passa por um corretor de texto. Quem transformar isso em acusação vai acabar acusando a si mesmo na eleição seguinte.
A implicação que a fonte não traz é esta: o verdadeiro diferencial deixará de ser 'usou ou não usou IA' e passará a ser 'quem revisou e quem assume'. Na nossa leitura, o eleitor mais preparado dos próximos anos não vai perguntar se a máquina ajudou. Vai perguntar se as promessas têm orçamento, prazo e responsável com nome e sobrenome. A nossa previsão é que, já nas eleições municipais seguintes, atacar o adversário por usar IA soará tão datado quanto criticar alguém por usar computador.
Vale trazer aqui um paralelo da nossa experiência, a título ilustrativo. Atendemos com frequência pequenos negócios brasileiros, e é comum uma pequena loja de bairro querer usar IA para escrever suas ofertas e responder clientes. O que orientamos, como estimativa de esforço da Clube dos Cisnes, é reservar cerca de dez a quinze minutos de revisão humana para cada texto gerado pela máquina, custo baixo que evita erros de preço, promessa impossível ou tom fora do lugar. A lição vale igual para um comércio de esquina e para um plano de governo estadual: a IA acelera a escrita, mas a conferência humana é o que protege a reputação. Sem essa revisão, tanto a loja quanto o candidato pagam caro por um texto bonito e errado.
No fim, o comício de Brumado será lembrado menos pelo tamanho do público e mais por ter colocado a inteligência artificial no centro de uma disputa eleitoral no interior da Bahia. O palanque mudou de assunto, e o eleitor precisa acompanhar.
Perguntas frequentes
O que Jerônimo Rodrigues criticou no comício de Brumado?
Segundo o Blog do Valente, o governador da Bahia antecipou a crítica de que o comício estaria vazio e, em seguida, atacou o plano de governo do opositor por ter sido elaborado com ajuda de inteligência artificial. A fala aconteceu em agosto de 2026, em Brumado, no sudoeste baiano.
É proibido usar inteligência artificial para escrever um plano de governo?
Não. Não há proibição para usar IA na redação de propostas de campanha. O que a Justiça Eleitoral tem discutido são os usos enganosos, como vídeos e áudios falsos de candidatos. Escrever um plano com apoio de IA é permitido, desde que o conteúdo seja verdadeiro e o candidato assuma a responsabilidade.
Por que usar IA em campanha virou motivo de crítica?
Porque adversários exploram a ideia de que um documento feito por máquina estaria distante da realidade das pessoas. É um argumento político, não técnico. Na prática, a ferramenta só organiza o texto, e a qualidade das propostas depende inteiramente de quem revisa e assina o plano.
Como o eleitor deve avaliar um plano de governo feito com IA?
O eleitor deve olhar menos para a ferramenta e mais para o conteúdo. Vale checar se as promessas têm prazo, se cabem no orçamento e se existe um responsável claro por trás delas. Um plano realista importa mais do que a forma como ele foi digitado.
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