IA 23 de agosto de 2026 · 13 min de leitura

TSE vai endurecer regras contra deepfakes nas eleições

O Tribunal Superior Eleitoral avisou que vai apertar o cerco contra deepfakes nas eleições. Vídeos e áudios falsos feitos por inteligência artificial entraram na mira da Justiça. Para o eleitor, a pergunta é simples: dá para confiar no que você vê na tela?

RW

Rafael Willians

Fundador, Clube dos Cisnes

TSE vai endurecer regras contra deepfakes nas eleições
  • O TSE sinalizou que vai endurecer as regras contra deepfakes de inteligência artificial nas eleições, segundo a Agenda do Poder.
  • Deepfake é um vídeo, áudio ou foto falso, criado por IA, feito para parecer verdadeiro.
  • Desde 2024, a Resolução 23.610 do TSE já proibia o uso de deepfake em campanha; o próximo passo é punir com mais rigor.
  • Quem criar ou espalhar conteúdo político falso com IA pode ter o material derrubado e responder na Justiça nas eleições de 2026.
  • Na nossa leitura, a tecnologia corre na frente da lei, e cabe a você, eleitor, desconfiar antes de compartilhar.

TSE mira os vídeos falsos de IA antes das eleições de 2026

O Tribunal Superior Eleitoral, que é o órgão máximo da Justiça Eleitoral no Brasil, deu um recado claro. Segundo a Agenda do Poder, o TSE sinalizou que pretende endurecer o combate aos deepfakes de inteligência artificial nas próximas eleições. A mensagem chega antes da disputa de 2026, quando o país escolhe presidente, governadores, senadores e deputados.

Isso importa para você mesmo que você nunca tenha ouvido a palavra deepfake. Na prática, significa que um vídeo do seu candidato preferido dizendo um absurdo pode ser puro invento de um computador. E se milhões de pessoas acreditarem naquilo, o voto de todo mundo é afetado. A briga do TSE, no fundo, é uma briga pela sua confiança no que aparece na tela do celular.

Vamos explicar, em linguagem simples, o que está em jogo. O que é essa tal tecnologia, por que ela assusta a Justiça, o que muda na sua vida e como não cair na conversa de um vídeo mentiroso.

O que é um deepfake e por que ele engana tanta gente?

Deepfake é um conteúdo falso, um vídeo, um áudio ou uma foto, criado por inteligência artificial para parecer real. A inteligência artificial, aqui, é um programa de computador que aprende a imitar. Ele estuda milhares de imagens e gravações de uma pessoa e depois consegue montar cenas que nunca aconteceram.

Pense numa criança copiando a letra do pai para pedir dispensa na escola. Antigamente, dava para perceber pelos erros. Hoje, a IA copia tão bem que a assinatura sai perfeita. Com vídeo e voz é a mesma coisa: o programa reproduz o jeito de falar, as pausas, o tom, até o piscar de olhos. O resultado engana o olho comum.

É por isso que o deepfake é tão perigoso. Nosso cérebro foi treinado a vida inteira para acreditar no que vê e ouve. Quando um vídeo mostra alguém falando, a reação natural é confiar. O golpe do deepfake explora exatamente esse instinto antigo. Ele veste a mentira com a roupa da verdade.

Para quem quiser aprofundar em como distinguir o verdadeiro do falso, já tratamos do tema em um guia sobre como saber se uma imagem foi gerada por inteligência artificial. Vale a leitura para treinar o olho.

Por que o TSE decidiu endurecer as regras justamente agora?

O TSE resolveu apertar o cerco porque a tecnologia ficou boa e barata rápido demais. Segundo a Agenda do Poder, o tribunal sinalizou que vai tratar os deepfakes com mais dureza nas eleições. A pressa tem motivo: o que antes exigia um estúdio de cinema hoje cabe num aplicativo de celular.

Não é a primeira vez que a Justiça Eleitoral encara o problema. Em 2024, o TSE aprovou a Resolução 23.610, um conjunto de regras que já proibia o uso de deepfake em propaganda eleitoral e obrigava a avisar quando um conteúdo fosse feito com IA. Foi a primeira vez que o Brasil colocou a inteligência artificial de forma direta dentro das regras de campanha.

O que muda agora é o tom. Uma coisa é ter a regra no papel. Outra é fazer ela pegar de verdade, com punição rápida e material derrubado no ato. O recado do TSE é justamente esse: em 2026, a linha vai ser mais firme. A eleição de 2024, nas cidades, funcionou como um ensaio; a disputa nacional de 2026 é o jogo grande.

Há um detalhe histórico que ajuda a entender a preocupação. Casos de vídeos manipulados de figuras públicas já forçaram o tribunal a rever suas próprias regras no passado. Quando a tecnologia avança, a lei corre atrás. E correr atrás, em ano de eleição, é arriscado.

Como um único vídeo falso pode mudar uma eleição inteira?

Um vídeo falso muda uma eleição porque a mentira viaja mais rápido que a correção. Imagine que, na véspera da votação, aparece um áudio de um candidato confessando um crime. Em poucas horas, aquilo roda em grupos de família, é reencaminhado milhões de vezes e vira assunto. Quando a Justiça desmente, o estrago já foi feito.

É como um boato numa escola. Basta um aluno inventar uma história no recreio para que, no fim do dia, a turma toda repita. Mesmo que a diretora chame todo mundo e explique que era mentira, sempre sobra gente achando que tinha algo de verdade. Na eleição, essa dúvida plantada pode valer votos.

O problema fica maior perto do dia da votação. Existe um período final de campanha em que quase não dá tempo de reagir. Um deepfake lançado no sábado à noite, antes da votação de domingo, é uma arma pensada para não ter defesa. A vítima não consegue provar que é falso a tempo, e o eleitor decide com base numa mentira.

Some a isso a força dos grupos fechados. Diferente da televisão, que todo mundo assiste junto, o vídeo falso circula no escurinho das mensagens privadas. Ninguém de fora vê para desmentir. Cada pessoa recebe a mentira como se fosse um segredo confiável, vindo de um parente ou amigo.

O que muda na prática para quem cria ou compartilha esse conteúdo?

Na prática, quem produzir ou espalhar um deepfake político pode ter o conteúdo removido e responder na Justiça. A sinalização do TSE, relatada pela Agenda do Poder, aponta para punições mais severas em 2026. E aqui vem um ponto que muita gente ignora: a responsabilidade não é só de quem cria.

Quem compartilha também entra na conta. Se você recebe um vídeo suspeito e reencaminha para trezentas pessoas, você virou parte da corrente que espalha a mentira. A Resolução 23.610 já prevê que plataformas e usuários têm deveres nesse jogo. O compartilhamento sem pensar deixou de ser inofensivo.

Para as campanhas, o cálculo muda. Antes, a tentação era usar um vídeo sujo e torcer para não ser pego. Com regras mais duras e resposta mais rápida, o risco cresce. Um candidato flagrado usando deepfake pode perder muito mais do que ganha, inclusive enfrentar processo que ameace o mandato.

Para as redes sociais, a pressão aumenta. A tendência é que o TSE cobre das plataformas a retirada rápida do conteúdo falso, sob pena de multa. Ou seja, o WhatsApp, o Instagram e o YouTube passam a ser cobrados como parte da solução, não apenas como o cano por onde a mentira passa.

Como a Justiça vai conseguir identificar um deepfake de verdade?

A Justiça vai depender de perícia técnica, de denúncias e da colaboração das plataformas para identificar um deepfake. Não existe botão mágico. É um trabalho de investigação, parecido com o de um perito que analisa uma nota falsa procurando os detalhes que a máquina não reproduziu direito.

Os sinais existem. Muitos vídeos falsos ainda escorregam em pequenas coisas: uma piscada estranha, a boca que não bate com o som, uma sombra fora de lugar, um brinco que some e volta. Programas especializados medem esses defeitos que o olho humano deixa passar. É uma corrida entre quem falsifica e quem detecta.

Só que essa corrida é desigual e sincera reconhecê-lo. A cada mês, as ferramentas de criação melhoram e os defeitos diminuem. Por isso a aposta não pode ser só na tecnologia de detecção. Ela precisa vir junto com regras claras, resposta rápida da Justiça e, principalmente, um eleitor mais desconfiado.

Vale a comparação com o futebol. O árbitro de vídeo, o VAR, ajudou a pegar erros que o juiz não via. Mas ninguém tirou o juiz de campo. A detecção de deepfake é o VAR da eleição: ajuda muito, mas a decisão final continua dependendo de gente, de lei e de bom senso.

O Brasil está atrasado ou adiantado em relação a outros países?

O Brasil está entre os países que se anteciparam ao problema, e não atrás dele. Ao aprovar regras específicas contra deepfake em campanha já em 2024, a Justiça Eleitoral brasileira saiu na frente de muitas democracias que só agora discutem o assunto no papel.

Enquanto vários lugares ainda debatem projetos de lei, o TSE optou por agir dentro das próprias resoluções, que valem para a eleição seguinte. Essa agilidade tem um lado bom: o país não ficou parado esperando o Congresso. E tem um lado que exige cuidado: regras feitas rápido precisam ser bem calibradas para não virar censura.

Outros países caminham por trilhas parecidas. Já escrevemos aqui sobre como a Califórnia e a Europa vão exigir aviso em conteúdo feito por inteligência artificial, uma ideia próxima da obrigação de rotular que o Brasil já adotou. O rumo é o mesmo no mundo todo: identificar o que é feito por máquina.

A diferença é que, aqui, o teste de fogo tem data marcada. A eleição nacional de 2026 vai mostrar, na prática, se a regra brasileira funciona sob pressão real. Poucos países terão uma prova tão grande e tão cedo. O Brasil vira, sem querer, um laboratório observado de perto lá fora.

O que você pode fazer para não cair em um vídeo falso?

A melhor defesa contra um deepfake é uma pergunta simples antes de acreditar: de onde veio isso? Se o vídeo chegou por um grupo de WhatsApp, sem fonte, prometendo uma bomba, o sinal amarelo já deveria acender. Conteúdo feito para chocar e espalhar rápido merece a maior desconfiança.

Um passo prático é checar se veículos de imprensa sérios estão noticiando o mesmo fato. Se um candidato realmente confessou um crime em vídeo, isso estaria em todos os jornais em minutos. Se só existe naquele arquivo que um conhecido mandou, a chance de ser falso é enorme. Silêncio da imprensa costuma ser um bom detector de mentira.

Outro cuidado é observar os detalhes e o contexto. Preste atenção na boca, nos olhos, no fundo da imagem. Desconfie de cortes estranhos e de áudios com voz um pouco metálica. E, acima de tudo, segure o dedo antes de reencaminhar. A corrente da desinformação só anda porque muita gente aperta o botão de compartilhar sem pensar.

Na era dos deepfakes, o eleitor bem informado deixou de ser apenas alguém que sabe em quem votar; passou a ser a última linha de defesa da própria democracia.

A leitura da Clube dos Cisnes: a corrida entre a mentira e a lei

Na Clube dos Cisnes, entendemos que o endurecimento do TSE é necessário, mas chega no meio de uma corrida que a lei, sozinha, não vence. A tecnologia que fabrica mentiras evolui em meses; uma resolução leva anos para ser testada e ajustada. O que vemos aqui é uma queda de braço permanente, não um problema que se resolve com uma canetada.

Nossa tese é direta: nenhuma regra vai funcionar sem educação do eleitor. Punir quem cria deepfake é justo e importante, mas é enxugar gelo se, do outro lado, milhões de pessoas continuarem compartilhando qualquer vídeo sem checar. A defesa mais forte não está no tribunal, está no dedo de quem decide reencaminhar ou não.

E fazemos uma previsão fundamentada. Na nossa leitura, a eleição de 2026 vai registrar mais casos de deepfake do que a de 2024, não porque a fiscalização falhou, mas porque a ferramenta ficou popular. A vitória da Justiça não será acabar com os vídeos falsos, será derrubá-los rápido o suficiente para que a mentira não decida o resultado.

Esse desafio não é só da política. Na experiência da Clube dos Cisnes, o mesmo tipo de golpe já bate à porta das pequenas empresas: pense num cenário ilustrativo, uma loja de bairro cujo dono aparece num áudio falso pedindo que um funcionário faça um pagamento urgente. É o mesmo truque do deepfake eleitoral, aplicado ao caixa do comércio. Nossa estimativa, baseada no que orientamos a pequenos negócios, é que uma rotina simples de verificação, confirmar por outro canal antes de agir, custa quase nada e evita a maioria desses prejuízos. Para a pequena e média empresa brasileira, a lição da eleição vale para o dia a dia: desconfiar virou parte do trabalho.

Quem ganha com regras mais duras é o eleitor honesto e o candidato que joga limpo. Quem perde é a campanha que apostava na sujeira e nas fábricas de mentira. Mas o jogo só vira de vez quando cada um de nós parar de ser, sem perceber, o entregador da desinformação.

No fim, a máquina aprendeu a mentir com a nossa cara e a nossa voz. Cabe a nós, gente de carne e osso, reaprender a duvidar antes de acreditar.

Perguntas frequentes

Deepfake é crime no Brasil?

O uso de deepfake em propaganda eleitoral já é proibido pela Resolução 23.610 do TSE, aprovada em 2024. Quem cria ou espalha esse conteúdo em campanha pode ter o material removido e responder na Justiça Eleitoral. Fora do contexto eleitoral, o caso pode envolver outros crimes, como difamação e uso indevido de imagem.

Como saber se um vídeo é um deepfake?

Observe detalhes como a boca que não bate com o som, piscadas estranhas, sombras fora de lugar e áudio com voz metálica. Desconfie de vídeos que chegam sem fonte, por grupos de mensagem, prometendo uma revelação bombástica. E confira se veículos de imprensa sérios estão noticiando o mesmo fato antes de acreditar.

O que o TSE vai mudar para as eleições de 2026?

Segundo a Agenda do Poder, o TSE sinalizou que vai endurecer o combate aos deepfakes, com punições mais severas e resposta mais rápida contra conteúdo falso. A base já existe na Resolução 23.610 de 2024; a novidade é a promessa de aplicar as regras com mais rigor na disputa nacional de 2026.

Posso ser punido por compartilhar um deepfake sem saber que era falso?

Compartilhar conteúdo falso ajuda a espalhar a desinformação e pode gerar responsabilidade, dependendo do caso e da intenção. Por isso a orientação é sempre checar a origem antes de reencaminhar. Na dúvida, não compartilhe: é mais seguro segurar a mensagem do que virar parte da corrente que engana outras pessoas.

Fontes

  1. Agenda do Poder

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Tags: IA Clube dos Cisnes PME
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Como este artigo foi produzido. Redigido com assistência de inteligência artificial, a partir de curadoria de pauta e de um padrão editorial definidos pela equipe do Clube dos Cisnes. A linha editorial é de Rafael Willians, que revisa o blog de forma contínua e por amostragem. Entenda o processo · Encontrou um erro? Avise