IA 28 de outubro de 2026 · 11 min de leitura

CEO do Airbnb: 2 tipos de trabalhadores em risco com a IA

O CEO do Airbnb, Brian Chesky, afirmou que dois tipos de trabalhadores podem não sobreviver à era da inteligência artificial. A declaração foi divulgada pela InfoMoney. Entenda quais são esses perfis e por que isso também fala direto com o trabalhador brasileiro.

RW

Rafael Willians

Fundador, Clube dos Cisnes

CEO do Airbnb: 2 tipos de trabalhadores em risco com a IA
  • O CEO do Airbnb, Brian Chesky, afirmou que dois tipos de trabalhadores podem não sobreviver à era da inteligência artificial, segundo a InfoMoney.
  • Os dois perfis de risco são: quem se recusa a aprender a usar a IA e quem vive de tarefas repetitivas e previsíveis.
  • O recado central não é que a máquina vai roubar todo emprego, e sim que quem usa IA tende a substituir quem não usa.
  • No Clube dos Cisnes, entendemos que o maior risco não é a tecnologia em si, e sim a acomodação de quem finge que nada está mudando.

O alerta que veio direto do topo do Airbnb

Brian Chesky, cofundador e presidente-executivo do Airbnb, a plataforma de aluguel de hospedagem entre pessoas fundada em 2008, afirmou que dois tipos de trabalhadores podem não sobreviver à era da inteligência artificial. A declaração foi noticiada pela InfoMoney e repercutiu porque veio de quem comanda uma das empresas de tecnologia mais conhecidas do mundo.

Inteligência artificial, para deixar claro logo de início, é a tecnologia que permite a um programa de computador aprender com muitos exemplos e executar tarefas que antes só uma pessoa fazia, como escrever um texto, responder a um cliente ou organizar dados. Quando o chefe de uma gigante do setor liga o alerta, não é apenas opinião solta: é um sinal de para onde o próprio mercado de trabalho está caminhando.

Para o brasileiro comum, que lê isso no celular no intervalo do serviço, a pergunta que fica é simples e incômoda. Será que o meu trabalho está nessa conta? É exatamente essa dúvida que vamos destrinchar aqui, sem terrorismo e sem fazer de conta que está tudo bem.

Quais são os dois tipos de trabalhadores em risco com a IA?

Segundo a InfoMoney, os dois perfis apontados por Chesky são, em essência, quem se recusa a usar a inteligência artificial no dia a dia e quem passa o expediente inteiro em tarefas repetitivas e previsíveis. São dois riscos diferentes, mas que costumam andar juntos.

O primeiro perfil é o do profissional que trata a IA como modismo e decide ignorá-la. Ele continua fazendo tudo manualmente, do jeito que sempre fez, enquanto o colega ao lado aprende a usar as novas ferramentas. O segundo perfil é o de quem ocupa uma função baseada em repetição: preencher o mesmo formulário, copiar os mesmos números, dar sempre a mesma resposta padrão. É justamente esse tipo de tarefa que um programa aprende a imitar com mais facilidade.

Vale entender o mecanismo por trás disso. A IA atual aprende observando uma montanha de exemplos e depois repete o padrão. Quanto mais previsível e padronizado é o trabalho, mais fácil é ensinar a máquina a reproduzi-lo. Por outro lado, quanto mais o trabalho exige julgamento, conversa, negociação e decisão caso a caso, mais difícil fica substituir a pessoa. Não à toa, já escrevemos sobre quem fica para trás quando a IA chega ao trabalho, e o padrão se repete.

Repare que o alerta não desenha um bicho de sete cabeças que elimina profissões inteiras da noite para o dia. Ele mira em comportamentos e tipos de tarefa. Isso é importante, porque comportamento a gente muda. Tarefa a gente reorganiza.

Por que quem ignora a IA corre mais risco que a própria IA?

Porque, na prática, quem costuma tomar o lugar do trabalhador não é a máquina sozinha, e sim o colega que faz o mesmo serviço em metade do tempo usando a máquina. A frase que resume bem o espírito do alerta é que a IA não vai tirar o seu emprego, mas uma pessoa usando IA pode tirar.

Pense em uma sala de aula. Dois alunos têm a mesma prova pela frente. Um deles descobre um método de estudo que rende o dobro no mesmo tempo, o outro insiste no caderno rabiscado de sempre. Nenhum dos dois é mais inteligente que o outro, mas um entrega mais. No mercado de trabalho, a IA é esse método novo de estudo: quem adota larga na frente, quem recusa fica para trás sem nem perceber quando a distância abriu.

O mesmo raciocínio aparece em uma novela. O vilão quase nunca é derrubado por um inimigo de fora, e sim pelo personagem de dentro da própria casa que se atualizou, fez alianças e aprendeu as novas regras do jogo. No escritório, a disputa silenciosa é parecida: ganha espaço quem aprende a ferramenta antes dos outros. Essa lógica de que é preciso se mexer aparece também quando um especialista avisa que é dominar a IA ou ficar fora do mercado.

Por isso dizemos que a recusa é mais perigosa que a tecnologia. A ferramenta é neutra, está ali disponível para todos. O que decide o seu futuro profissional é a escolha de pegá-la ou deixá-la de lado. Quem decide não aprender não está evitando o risco, está escolhendo ficar parado enquanto o chão se move.

O trabalho repetitivo é o primeiro a sumir?

Sim, as funções baseadas em tarefas repetitivas e padronizadas são, historicamente, as primeiras a serem automatizadas, e com a IA não é diferente. Quanto mais o trabalho se parece com um roteiro fixo, maior a chance de uma máquina aprender a segui-lo.

O mecanismo é direto. Se a tarefa tem sempre o mesmo começo, o mesmo meio e o mesmo fim, ela vira um molde. E molde é fácil de copiar. Digitar dados de uma planilha para outra, conferir se um campo foi preenchido, responder sempre a mesma pergunta de cliente com o mesmo texto: tudo isso é terreno fértil para a automação. Já aprofundamos como a IA já faz boa parte do trabalho de iniciante, e é esse degrau inicial que mais sente o baque.

Isso não é novo na história. Quando o caixa eletrônico chegou aos bancos, muita gente achou que o caixa humano acabaria no dia seguinte. O que aconteceu foi diferente: parte das tarefas repetitivas saiu das mãos das pessoas, e o funcionário que sobrou passou a cuidar de atendimento, negociação e venda de serviços. A planilha de computador fez o mesmo com o guarda-livros de antigamente. A ferramenta mudou, a função se reorganizou em volta do que a máquina ainda não dá conta.

O desdobramento prático é que ninguém precisa esperar o posto sumir para agir. Quem percebe que passa o dia inteiro em tarefas de copiar e colar tem ali o mapa do que precisa mudar primeiro. A parte repetitiva vai para a máquina, e o profissional sobe para a parte que exige cabeça humana. Isso conversa diretamente com o debate sobre o que muda no trabalho e quais habilidades passam a valer mais.

O que fazer para não ficar para trás na era da IA?

O caminho é parar de competir com a máquina naquilo que ela faz melhor, a repetição, e passar a usá-la como ferramenta, somando a ela aquilo que ainda é só seu: julgamento, criatividade, empatia e trato com gente. Em vez de temer a ferramenta, o movimento certo é colocá-la para trabalhar a seu favor.

Na prática, isso começa pequeno. Dá para pedir a um assistente de IA que organize uma lista de tarefas, que escreva um primeiro rascunho de um e-mail difícil, que explique um assunto complicado em palavras simples ou que resuma um documento longo. O segredo não é saber programar. É saber conversar com a ferramenta, pedir de forma clara e revisar o resultado com senso crítico, porque a máquina erra e inventa com naturalidade.

Imagine uma atendente de uma loja de bairro. Hoje ela responde no WhatsApp uma a uma as mesmas perguntas sobre preço, horário e entrega. Se ela aprende a usar a IA para montar respostas prontas e organizar os pedidos, sobra tempo para o que a máquina não faz: perceber o cliente irritado, oferecer um desconto na hora certa, criar relacionamento. Ela não foi substituída pela tecnologia. Ela subiu de nível com a ajuda dela.

O erro mais comum aqui é achar que adaptação significa virar especialista em tecnologia da noite para o dia. Não significa. Significa ganhar o hábito de testar, errar e aprender aos poucos, do mesmo jeito que um dia aprendemos a usar o aplicativo do banco ou a pedir comida pelo celular. Quem começou achando impossível hoje faz sem pensar.

Isso vale para o trabalhador brasileiro comum?

Vale, e talvez com peso ainda maior por aqui. O Brasil tem uma força de trabalho enorme concentrada justamente em funções de atendimento, operação e tarefas administrativas repetitivas, o terreno mais exposto à automação descrita no alerta.

Ao mesmo tempo, o acesso às ferramentas de IA nunca foi tão democrático. Boa parte delas tem versão gratuita e funciona no mesmo celular que a pessoa já usa o dia inteiro. Isso muda o jogo: o trabalhador brasileiro não precisa de um computador caro nem de um curso de milhares de reais para dar os primeiros passos. A barreira de entrada hoje é muito mais de atitude do que de dinheiro.

É uma diferença e tanto em relação a ondas tecnológicas do passado. Quando a internet chegou, era preciso comprar máquina, pagar provedor e aprender quase do zero. Com a IA, a porta de entrada já está no bolso de quase todo mundo. Quem trata isso como oportunidade sai na frente de quem trata como ameaça distante.

A leitura do Clube dos Cisnes: o risco não é a máquina, é a acomodação

Na nossa leitura, o alerta de Brian Chesky acerta no alvo, mas por um motivo que a manchete não entrega: o perigo real não é tecnológico, é comportamental. A inteligência artificial não acorda de manhã querendo o seu emprego. Quem decide o seu futuro é a escolha, repetida todos os dias, de aprender ou de ignorar.

Na era da inteligência artificial, o trabalhador em risco não é o que a máquina substitui, é o que se recusa a aprender a usar a máquina.

No Clube dos Cisnes, estimamos que uma pequena empresa brasileira consegue colocar uma rotina básica de IA para funcionar, em tarefas como atendimento e organização de planilhas, com um investimento mensal na casa das dezenas a poucas centenas de reais, somado a algumas horas de treinamento da equipe. Deixamos claro que esse é um número de estimativa nossa, baseado na experiência da CDC, e não um dado oficial de terceiros. O ponto é mostrar que a adaptação cabe no orçamento de quem tem um comércio de esquina, não só no de grandes corporações.

A título de exemplo ilustrativo, e não como um cliente real específico, imagine um pequeno comércio que vivia atolado respondendo as mesmas mensagens no WhatsApp. Ao usar a IA para padronizar as respostas iniciais e separar os pedidos urgentes dos comuns, o dono libera horas da semana que antes evaporavam no repetitivo. Essas horas voltam para o que dá dinheiro de verdade: fechar venda, cuidar do cliente fiel, pensar no próximo passo do negócio.

Nossa previsão é que, nos próximos anos, a divisão no mercado de trabalho brasileiro não será entre quem sabe e quem não sabe tecnologia, e sim entre quem usa IA como ajudante e quem insiste em competir com ela na força bruta da repetição. O primeiro grupo vai trabalhar menos horas no chato e ganhar espaço. O segundo vai sentir o salário estagnar e as oportunidades encolherem, sem entender direito o porquê.

No fim, o alerta do Airbnb é menos uma profecia de desemprego em massa e mais um convite para parar de adiar. A IA já chegou. A única pergunta que importa é se você vai estar do lado de quem a usa ou do lado de quem foi usado por ela.

Perguntas frequentes

Quais são os dois tipos de trabalhadores que o CEO do Airbnb diz estarem em risco?

Segundo a InfoMoney, o CEO do Airbnb, Brian Chesky, apontou dois perfis: quem se recusa a aprender a usar a inteligência artificial e quem trabalha em tarefas repetitivas e previsíveis. O primeiro fica para trás porque não acompanha a mudança, e o segundo porque sua função é fácil de automatizar.

A inteligência artificial vai acabar com os empregos?

A mensagem central não é essa. O recado é que a IA tende a não eliminar profissões inteiras de uma vez, mas sim transformar tarefas e favorecer quem sabe usá-la. Na prática, quem usa IA costuma ocupar o espaço de quem não usa, em vez de a máquina simplesmente demitir todo mundo.

Preciso saber programar para usar inteligência artificial no trabalho?

Não. A maioria das ferramentas de IA funciona por conversa, em linguagem comum, no próprio celular. O que importa é aprender a pedir de forma clara, testar e revisar o resultado com senso crítico, já que a IA pode errar. É um aprendizado parecido com o de usar o aplicativo do banco pela primeira vez.

Como começar a usar IA sem gastar muito dinheiro?

Boa parte das ferramentas tem versão gratuita e roda no celular que você já tem. Dá para começar pedindo ajuda para escrever e-mails, organizar tarefas, resumir textos longos ou responder mensagens repetidas de clientes. A barreira hoje é muito mais de hábito e disposição do que de custo.

Fontes

  1. InfoMoney

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Tags: IA Clube dos Cisnes PME
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