IA 07 de setembro de 2026 · 12 min de leitura

Seus dados estão seguros no ChatGPT e no Gemini?

A TechTudo mostrou como impedir que ChatGPT, Gemini, Copilot e Claude usem suas conversas para treinar a inteligência artificial. Dá para desativar isso nas configurações. Mas o ajuste sozinho não protege quem digita dados sensíveis.

RW

Rafael Willians

Fundador, Clube dos Cisnes

Seus dados estão seguros no ChatGPT e no Gemini?
  • Segundo a TechTudo, tudo o que você digita no ChatGPT, Gemini, Copilot ou Claude pode ser usado para treinar a inteligência artificial dessas empresas.
  • Dá para desativar esse uso nas configurações de cada aplicativo, procurando a opção de não salvar ou não treinar com seus chats.
  • A TechTudo cobre 4 assistentes populares e resume a proteção em 3 passos: desligar o histórico, evitar dados sensíveis e usar o modo temporário.
  • Mesmo com tudo desativado, senha, CPF, número de cartão e dado médico nunca devem entrar no chat.

O que a TechTudo revelou sobre suas conversas com a inteligência artificial

A TechTudo, site brasileiro de tecnologia do grupo Globo, publicou em agosto de 2026 um guia ensinando a proteger conversas em quatro assistentes de inteligência artificial: ChatGPT, Gemini, Copilot e Claude. Inteligência artificial, aqui, é o programa que entende o que você escreve e responde como se fosse uma pessoa. O ponto central da matéria é simples: aquilo que você conversa com o robô pode virar material de treino para deixar a máquina mais esperta.

Para o brasileiro comum, isso importa mais do que parece. Muita gente já usa o ChatGPT para desabafar, pedir conselho, montar currículo ou resolver uma dúvida de saúde. Cada mensagem dessas é um pedaço da sua vida. Entender para onde ela vai é tão básico quanto saber quem tem a chave da sua casa.

Na Clube dos Cisnes, entendemos que o assunto deixou de ser tema de especialista. Virou higiene digital, do mesmo tipo de não anotar a senha do banco num papel na carteira. E o mais importante: a maioria das pessoas nunca abriu essas configurações uma vez sequer.

As empresas de IA realmente leem o que eu escrevo no chat?

Na prática, o conteúdo pode ser usado para treinar o sistema, e às vezes revisado por pessoas. A TechTudo explica que as conversas com ChatGPT, Gemini, Copilot e Claude podem alimentar o treinamento dessas ferramentas. Não significa que um funcionário lê a sua mensagem em tempo real, mas que o texto pode entrar no grande caldeirão que ensina a máquina a responder melhor.

Funciona mais ou menos como uma cozinha que testa receitas. Cada prato que você pede e cada reclamação que faz ajudam o chef a ajustar o tempero para os próximos clientes. Suas conversas são esses testes. O problema é quando você, sem querer, joga um ingrediente pessoal demais na panela, como o número do seu cartão.

Esse risco não é teórico. Já cobrimos aqui como centenas de conversas com a IA Claude vazaram na internet, expondo o que pessoas achavam que era privado. Quando um dado entra no sistema, você perde o controle sobre ele. É como uma carta que você posta: depois que cai na caixa, não volta mais para a sua mão.

Por isso a lógica da TechTudo é dupla. Primeiro, reduzir o que a empresa guarda. Segundo, e mais importante, reduzir o que você entrega. As duas coisas juntas é que formam a proteção de verdade.

Como desativar o uso das minhas conversas para treinar a IA?

A resposta direta: entre nas configurações do aplicativo e procure a opção de não salvar o histórico ou não usar seus chats para treinamento. Esse é o primeiro dos três passos que a TechTudo recomenda. O nome muda de um app para o outro, mas a ideia é sempre a mesma: dizer para a ferramenta que você não autoriza o uso das suas conversas.

Imagine que você está numa viagem de ônibus e coloca a mochila no bagageiro de cima. A configuração de privacidade é como trancar essa mochila com cadeado antes de guardar. O ônibus continua andando, o serviço continua funcionando, mas o que é seu fica menos exposto a mãos estranhas. Ativar essa opção não deixa o ChatGPT ou o Gemini pior para o seu uso do dia a dia.

O detalhe que quase ninguém percebe é que essa escolha costuma vir desligada de fábrica. Ou seja, se você nunca mexeu, o mais provável é que suas conversas estejam sendo aproveitadas neste exato momento. Vale abrir o menu de configurações hoje e caçar termos como "dados", "privacidade", "histórico" ou "melhorar o modelo".

Um alerta honesto: desligar o treinamento nem sempre apaga o que já foi guardado antes. A medida vale para daqui para a frente. Por isso, quanto antes você ajustar, menos da sua vida já terá ido para dentro da máquina.

Que informações eu nunca devo digitar no ChatGPT ou no Gemini?

Nunca digite senha, CPF, número de cartão, dado bancário ou informação médica detalhada. Esse é o segundo passo da TechTudo, e na nossa leitura é o mais valioso de todos. Nenhuma configuração protege você de si mesmo quando o dado sensível é digitado com as próprias mãos.

Pense no chatbot como um caderno que fica em cima do balcão de uma padaria movimentada. Você pode anotar a lista de compras ali sem problema. Mas anotar a senha do banco nesse caderno é pedir para alguém copiar. O raciocínio é o mesmo: o chat serve para muita coisa útil, só não serve de cofre.

Esse cuidado conversa com um risco maior que já tratamos ao explicar o risco dos dados em celulares recondicionados. O fio que liga tudo é o mesmo: informação pessoal, uma vez solta, circula por caminhos que você não controla. E dado de saúde é o mais delicado, porque revela algo que nem a sua família às vezes sabe.

Uma dica prática que vai além do passo a passo: se precisar tratar de algo sensível, troque o dado real por um genérico. Em vez de escrever seu CPF, descreva o problema sem ele. Em vez do nome da sua empresa, diga "uma loja pequena". Você aproveita a ajuda da IA sem entregar a sua identidade.

Para que serve o modo temporário ou anônimo do chatbot?

O modo temporário serve para conversar sem que aquele bate-papo fique salvo no seu histórico. É o terceiro passo indicado pela TechTudo, e o site aponta que ferramentas como o ChatGPT oferecem esse recurso de chats sem registro. Terminou a conversa, ela some, e não vira base para treinar o sistema.

É parecido com a aba anônima do navegador, aquela que muita gente já usa para pesquisar presente sem estragar a surpresa. A conversa acontece normalmente, mas não deixa rastro no aparelho nem na sua conta. Para assuntos pessoais ou de trabalho, esse é o ambiente mais seguro dentro da própria ferramenta.

O uso ideal é ativar o modo temporário sempre que o tema for sensível e desligar quando você quiser guardar algo útil, como um projeto longo. A TechTudo trata os três passos como uma combinação, não como opções isoladas. Desligar o treinamento, evitar dado sensível e usar o modo temporário formam três camadas que se completam.

Vale lembrar que temporário não é invisível. A empresa ainda pode reter a conversa por um período curto por segurança, contra abusos e fraudes. Então o modo anônimo reduz o rastro, mas não transforma o chat num lugar para colocar o que jamais poderia vazar.

Isso muda algo para quem usa a IA no trabalho?

Muda, e muito, para quem lida com informação de clientes. Um vendedor que joga a lista de contatos no ChatGPT para organizar, um contador que cola dados de um cliente, um dono de loja que pede à IA para responder uma reclamação com o nome completo da pessoa: todos estão movendo dado de terceiros para fora do controle deles.

Existe até uma lei brasileira sobre isso, a LGPD, sigla para Lei Geral de Proteção de Dados, que trata de como empresas devem cuidar das informações de pessoas. Colocar dado de cliente num chatbot sem cuidado pode ser um problema legal, não só uma questão de bom senso. Muita microempresa nem imagina que essa responsabilidade também vale para ela.

Já mostramos como a inteligência artificial entrou fundo na rotina profissional ao listar ferramentas de IA que fazem você se destacar no trabalho. O recado que se soma agora é o contrapeso: usar bem inclui usar com privacidade. Produtividade sem cuidado com dado vira uma bomba-relógio.

Para o trabalhador comum, a regra prática é curta. Use a IA para o formato, o texto e as ideias. Deixe os dados reais de fora, ou troque por exemplos. A máquina ajuda a escrever a carta; os nomes verdadeiros você preenche depois, no seu computador.

Por que as empresas querem tanto as minhas conversas?

Porque conversa de gente real é o combustível que deixa a inteligência artificial melhor. Quanto mais exemplos de perguntas e respostas humanas o sistema vê, mais natural ele fica. Suas dúvidas de português, suas gírias e até seus erros ensinam a máquina a soar brasileira, e não como um manual traduzido.

Isso explica o movimento das grandes empresas de tecnologia nos últimos anos. O dado do usuário virou ativo tão disputado quanto petróleo, e não é exagero. Já vimos casos de companhias tratando informação de clientes como mercadoria, como quando contamos que a Spirit Airlines quis vender dados de passageiros para a IA do Google. A sua conversa entra nessa mesma economia.

Compare com um momento parecido do passado. Quando as redes sociais surgiram, quase ninguém lia os termos de uso, e só anos depois o país descobriu para onde ia cada curtida e cada foto. Com os chatbots, estamos no mesmo ponto de partida, com a chance de errar menos desta vez.

Aqui entra uma questão de quem ganha e quem perde. Ganha a empresa, que recebe matéria-prima grátis para melhorar um produto que depois vende. Perde, em privacidade, quem entrega tudo sem perceber. O botão de desativar existe justamente para reequilibrar um pouco essa balança a seu favor.

Configurar a privacidade do chatbot é importante, mas a proteção que nunca falha é a que você mesmo aplica: o dado que não é digitado é o único que não pode vazar.

A leitura da CDC: privacidade virou uma habilidade básica, não um luxo de especialista

Na Clube dos Cisnes, a nossa tese é direta: saber ajustar a privacidade de um chatbot vai se tornar tão comum quanto saber trocar a senha do Wi-Fi. O guia da TechTudo é útil porque desmonta o medo, mostrando que são três passos simples. Mas o valor real não está no passo a passo, e sim na mudança de hábito que ele pede.

Fazemos uma previsão fundamentada. Nos próximos meses, essas configurações de privacidade tendem a ficar mais visíveis e ativadas por padrão, empurradas por pressão de leis como a LGPD no Brasil e por reguladores em outros países. A tendência é que o padrão de fábrica deixe de ser "pode usar meus dados" e passe a ser "pergunte antes". Quem se acostumar agora sai na frente.

Do lado de quem tem um pequeno negócio, a implicação é concreta. Estimamos, com base na experiência da CDC e como número ilustrativo, que bastam cerca de 30 minutos para revisar as configurações de todos os apps de IA que uma equipe pequena usa e escrever uma regra interna de uma página sobre o que pode ou não ser digitado. É esforço baixo para um risco alto que se evita.

Para deixar concreto, imagine um caso ilustrativo, um exemplo hipotético baseado no tipo de situação que acompanhamos. Um pequeno comércio de bairro começa a usar o ChatGPT para responder clientes e, sem pensar, cola conversas inteiras do WhatsApp com nomes e telefones. Bastaria combinar com a equipe uma regra simples, apagar dados pessoais antes de colar, para transformar uma ferramenta arriscada numa aliada segura. O ajuste custa minutos; o vazamento custaria a confiança do cliente.

Há ainda o outro lado da moeda, que a fonte não discute. Desligar todo o histórico tem um preço de comodidade: você perde o assistente que lembra do seu contexto e precisa explicar tudo de novo a cada conversa. Não existe escolha perfeita, existe a escolha consciente. E fazer essa escolha com informação é exatamente o que separa o usuário passivo do usuário no controle.

Na nossa leitura, o recado final é de autonomia. A tecnologia não vai parar de coletar dados por conta própria; quem precisa apertar o botão é você. E a boa notícia é que, uma vez feito, esse cuidado vira automático, como olhar os dois lados antes de atravessar a rua.

No fim, a conversa mais segura com a inteligência artificial é a que você tem depois de decidir, com calma, o que merece ou não ser dito. A máquina responde ao que você digita; o poder de escolher o que digitar continua, felizmente, todo seu.

Perguntas frequentes

O ChatGPT guarda tudo o que eu escrevo?

Por padrão, o ChatGPT pode salvar suas conversas e usá-las para treinar a inteligência artificial, segundo a TechTudo. Você consegue reduzir isso nas configurações, desligando o histórico ou o uso dos chats para treinamento, e usando o modo temporário para conversas sem registro.

É seguro colocar dados pessoais no Gemini ou no Copilot?

Não é recomendável. A orientação da TechTudo é nunca digitar senha, CPF, número de cartão ou informação médica em nenhum desses assistentes, mesmo com as proteções ativadas. Se precisar de ajuda com um assunto sensível, descreva o problema sem incluir seus dados reais.

Como sei se minhas conversas estão sendo usadas para treinar a IA?

Abra as configurações do aplicativo e procure por termos como privacidade, dados, histórico ou melhoria do modelo. Se a opção de treinamento estiver ligada, suas conversas podem estar sendo aproveitadas. Basta desativá-la, lembrando que o ajuste costuma valer só para as conversas futuras.

O modo temporário do chatbot apaga tudo mesmo?

Ele impede que a conversa fique salva no seu histórico e sirva de treino para o sistema, o que reduz bastante o rastro. Ainda assim, a empresa pode reter o conteúdo por um curto período por segurança contra abusos. Por isso, nem no modo temporário vale a pena digitar dados que jamais poderiam vazar.

Fontes

  1. TechTudo

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Tags: IA Clube dos Cisnes PME
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