Negócios 08 de julho de 2026 · 6 min de leitura

Seu usuário no WhatsApp pode facilitar golpes, dizem especialistas

O WhatsApp começou a liberar os nomes de usuário, um apelido que substitui o número de telefone na hora de conversar. A novidade promete mais privacidade. Mas especialistas ouvidos pela imprensa alertam que ela também pode dar munição para golpistas.

RW

Rafael Willians

Fundador, Clube dos Cisnes

Seu usuário no WhatsApp pode facilitar golpes, dizem especialistas

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O apelido chegou ao WhatsApp — e nem todo mundo percebeu o que muda

O WhatsApp passou a oferecer o chamado nome de usuário. É um apelido único, parecido com o @ do Instagram, que identifica você dentro do aplicativo. Com ele, uma pessoa pode te achar e te chamar sem saber o seu número de telefone.

Na prática, é o maior ajuste de privacidade do mensageiro em anos. Até agora, para falar com alguém no WhatsApp, era preciso ter o número salvo. O apelido quebra essa regra. E é justamente aí que mora a preocupação levantada por especialistas em segurança digital citados pela imprensa de tecnologia.

Para o brasileiro comum, isso importa por um motivo simples: quase todo mundo aqui usa o WhatsApp para tudo. Conversa com a família, combina o trabalho, recebe recado da escola, fecha venda, paga conta. Qualquer mudança no funcionamento do aplicativo mexe com a rotina de milhões de pessoas — inclusive com a porta de entrada dos golpes.

O que é o nome de usuário, sem enrolação

Pense no seu número de telefone como o endereço da sua casa. Você não sai distribuindo para qualquer um. O nome de usuário funciona como uma caixa postal pública: você divulga um apelido e as pessoas mandam mensagem por ali, sem descobrir onde você mora de fato.

Antes, se você quisesse vender um sofá na internet ou entrar num grupo de vizinhos, precisava passar o telefone. Aquele número ficava exposto para estranhos. Com o apelido, dá para conversar mantendo o número escondido. Em teoria, é uma proteção. Menos gente com o seu telefone significa menos chance de você virar alvo de ligação chata, de mensagem de spam ou de vazamento.

O jornalismo de tecnologia reunido pelo Google News Tech BR destaca que essa é a lógica oficial do recurso: reduzir a exposição do número pessoal. Faz sentido. O número de celular hoje é uma chave que abre muita coisa — banco, aplicativo de transporte, rede social. Quanto menos ele circula por aí, melhor.

Onde os golpistas enxergam uma oportunidade

O problema é que toda facilidade nova também é uma facilidade para quem quer enganar. E é esse o alerta dos especialistas. Um apelido público, que qualquer pessoa pode usar para te chamar, derruba uma barreira que antes segurava muito golpe: a necessidade de ter o seu número.

Veja como isso pode virar cilada no dia a dia. Hoje, quando um desconhecido te manda mensagem, você já desconfia — afinal, como ele conseguiu o seu contato? Com o nome de usuário, esse estranhamento diminui. O golpista pode te abordar direto, e a conversa parece mais natural, menos invasiva. A guarda baixa.

Outro ponto delicado é a imitação. No golpe clássico do falso parente, o criminoso finge ser seu filho, sua mãe ou seu chefe com um número novo, dizendo que trocou de aparelho. Agora imagine que ele consiga registrar um apelido muito parecido com o de alguém que você conhece. Uma letra a mais, um número trocado. No aperto do dia a dia, olhando o celular no ônibus, quem repara nesse detalhe?

Há ainda o risco da coleta em massa. Se apelidos forem fáceis de adivinhar ou de listar, quadrilhas podem montar catálogos de possíveis vítimas e disparar abordagens em série. É a mesma lógica do golpe do falso emprego ou da falsa central do banco, só que com um caminho novo para chegar até você.

O detalhe que as manchetes não explicam: privacidade não é o mesmo que segurança

Aqui entra uma análise que vai além do que as fontes trazem. Existe uma confusão perigosa entre dois conceitos que parecem iguais, mas não são: privacidade e segurança.

Privacidade é esconder o seu número. Segurança é não cair no golpe. O nome de usuário resolve a primeira e pode, sem querer, atrapalhar a segunda. Você ganha uma cortina na janela, mas destranca a porta da frente. É uma troca, não um presente. E raramente as manchetes explicam isso com clareza.

Por que essa distinção importa para você? Porque a sensação de estar mais protegido é justamente o que os golpistas exploram. Quando a pessoa acredita que o aplicativo ficou mais seguro, ela relaxa. Baixa a atenção. E golpe bem-sucedido quase sempre depende de um instante de desatenção, não de tecnologia sofisticada. O criminoso não precisa invadir o seu celular. Basta convencer você a entregar uma senha, um código ou um Pix por vontade própria.

Como criar o seu apelido sem facilitar a vida do golpista

Se você decidir usar o recurso, dá para aproveitar a proteção sem abrir brechas. Algumas atitudes simples ajudam bastante.

Primeiro, escolha um apelido que não entregue dados seus. Nada de nome completo, data de nascimento, nome do bairro ou do trabalho. Quanto mais genérico e menos ligado à sua identidade real, menos pistas você dá.

Segundo, mantenha ligada a verificação em duas etapas. É aquela senha extra de seis dígitos que o WhatsApp pede além do código enviado por mensagem. Ela é a tranca principal contra o roubo da sua conta, e continua valendo com ou sem apelido.

Terceiro, desconfie sempre de urgência. Golpe vive de pressa: "transfere agora", "o código venceu", "sua conta será bloqueada". Ninguém sério exige decisão imediata pelo WhatsApp. Diante de pressa, pare e confirme por outro canal — uma ligação, um áudio conhecido, uma visita.

Quarto, nunca repasse códigos. O WhatsApp jamais pede o código de ativação por mensagem. Se alguém pedir, é golpe, ponto final. Vale para o número e vale para qualquer novidade que o aplicativo lance.

O que esperar daqui para frente

A liberação do nome de usuário mostra uma direção clara: os mensageiros querem se afastar do número de telefone como identidade principal. É uma tendência que já se viu em outras plataformas e que provavelmente vai crescer. Mais recursos assim devem aparecer nos próximos meses, segundo o noticiário de tecnologia acompanhado pelo Google News Tech BR.

Isso é bom no geral. O número de celular carrega informação demais e vaza fácil. Reduzir a dependência dele é um avanço legítimo. Mas cada avanço vem acompanhado de uma nova superfície para o golpe — e quem não acompanha essas mudanças fica em desvantagem justamente por não saber que a regra do jogo mudou.

A lição prática é essa: novidade de aplicativo não substitui atenção humana. A ferramenta mais poderosa contra o golpe continua sendo a sua desconfiança treinada. Nenhum apelido, nenhuma cortina de privacidade faz esse trabalho por você.

No fim, o nome de usuário é como uma fechadura nova na porta. Ajuda — mas só funciona se você não abrir para qualquer um que bater com pressa e uma boa história.

Fontes

  1. Google News Tech BR

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Tags: Negócios Clube dos Cisnes PME
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