O Brasil não é tão atrasado quanto muita gente pensa
Federico Grosso, executivo da ServiceNow, deu uma declaração que contraria uma crença antiga. Para ele, as empresas brasileiras estão entre as mais abertas à inovação no mundo. A fala foi divulgada em reportagem reunida pelo Google News.
A ideia de que o Brasil sempre chega atrasado às novidades da tecnologia é comum. Muita gente acha que aqui tudo demora, que a burocracia trava e que só copiamos o que vem de fora. O que o executivo diz é justamente o contrário: quando o assunto é adotar tecnologia nova, o país anda rápido.
Quem é a ServiceNow e por que essa opinião pesa
A ServiceNow é uma empresa de tecnologia que vende programas para outras empresas organizarem seu trabalho interno. Pense nela como uma prestadora que ajuda grandes companhias a automatizar tarefas repetitivas — coisas como abrir chamados, resolver pedidos de funcionários e cuidar de sistemas.
Isso importa por um motivo simples. Quem trabalha vendendo tecnologia para empresas enxerga de perto quais países aceitam experimentar e quais preferem esperar. É como um vendedor de rua que sabe, de tanto rodar, em qual bairro as pessoas compram por impulso e em qual pensam três vezes antes de gastar. Segundo o Google News, é dessa cadeira que Grosso observa o comportamento brasileiro.
Por isso, quando alguém dessa posição diz que o Brasil adota tecnologia com agilidade, não é um elogio vazio. É uma leitura de quem compara o país com muitos outros no dia a dia do trabalho.
O que significa "não ter medo de inovar" na prática
Inovar, no fundo, é trocar o jeito antigo de fazer as coisas por um jeito novo que promete ser melhor. Nem sempre dá certo de primeira. Por isso muita empresa tem medo: teme gastar dinheiro, treinar gente e no fim não ver resultado.
Dizer que a empresa brasileira "não tem medo" é dizer que ela topa arriscar. Um exemplo do cotidiano ajuda. Lembre de como o Pix entrou na vida do brasileiro. Em pouquíssimo tempo, do feirante ao dono de restaurante, quase todo mundo passou a aceitar. Em outros países, mudanças assim levam anos para pegar. Aqui, a novidade útil se espalha depressa.
Esse mesmo comportamento aparece dentro das empresas. Quando surge uma ferramenta que economiza tempo, o brasileiro tende a testar logo, sem ficar meses só analisando. É essa disposição que o executivo da ServiceNow destaca.
A inteligência artificial como motor da mudança
A inteligência artificial é o coração dessa transformação apontada na reportagem. De forma simples, inteligência artificial é um programa de computador treinado para fazer tarefas que antes só uma pessoa fazia — como escrever textos, responder clientes ou analisar montanhas de informação.
Nas empresas, isso já aparece em lugares que talvez você nem perceba. O atendimento por chat de muitas lojas hoje começa com um robô que entende sua pergunta. A análise de crédito de um banco usa esses programas para decidir em segundos. Até a triagem de currículos em processos seletivos passa por essas ferramentas.
O ponto que o executivo levanta é que o Brasil está abraçando essa onda em vez de fugir dela. E aqui vale a segunda informação concreta trazida pelo material do Google News: a inteligência artificial é apresentada como um dos principais fatores por trás dessa agilidade das empresas do país.
Um ângulo que a notícia não conta: coragem não é a mesma coisa que preparo
Agora entra uma análise que a fonte não traz, mas que o leitor precisa ouvir. Adotar tecnologia rápido é bom, mas tem um outro lado. Velocidade sem preparo pode virar dor de cabeça.
Pense numa cozinha. Comprar o forno mais moderno do mercado não faz de ninguém um bom cozinheiro. Se o cozinheiro não aprende a usar o forno, o prato queima igual. Com tecnologia é a mesma coisa. A empresa que instala inteligência artificial sem treinar sua equipe corre o risco de gastar dinheiro à toa.
Existe ainda uma questão de confiança. Quando um robô decide se você recebe ou não um empréstimo, quem garante que ele não está sendo injusto? Essas ferramentas aprendem com dados do passado e podem repetir erros antigos. Ter coragem de inovar é ótimo. Mas coragem sem cuidado pode prejudicar justamente o consumidor comum — ou seja, você.
Por isso, a boa notícia da abertura brasileira à inovação precisa vir acompanhada de uma pergunta: estamos inovando com responsabilidade ou só correndo por correr? A fonte celebra a velocidade. O leitor esperto também olha para a direção.
O que muda no seu bolso e no seu trabalho
Tudo isso pode parecer distante de quem não trabalha com tecnologia. Mas mexe com a sua vida de formas concretas.
No trabalho, as tarefas repetitivas tendem a ser feitas por máquinas. Isso assusta parte das pessoas, e é natural. Mas também abre espaço para quem aprende a usar essas ferramentas. Saber conversar com um programa de inteligência artificial pode virar, nos próximos anos, algo tão básico quanto saber mexer no WhatsApp hoje.
No consumo, empresas mais ágeis costumam oferecer serviços mais rápidos e, às vezes, mais baratos. O atendimento que responde na hora, o aplicativo do banco que resolve sozinho, a loja que entrega no mesmo dia — muito disso vem da adoção de tecnologia que o executivo elogia.
E há o lado do cidadão atento. Quanto mais as empresas usam essas ferramentas, mais importante fica saber como elas tratam seus dados e suas decisões. Perguntar, reclamar e exigir clareza deixa de ser detalhe e vira direito.
O recado por trás da fala do executivo
A declaração de Federico Grosso, divulgada pelo Google News, tem valor porque quebra um complexo antigo do brasileiro: o de que aqui tudo é pior e mais lento. Não é. Na hora de adotar tecnologia útil, o país mostra jogo de cintura e ousadia.
Mas ousadia é o começo da história, não o fim. Inovar rápido só compensa se for para melhorar a vida das pessoas de verdade — do funcionário ao cliente. A pressa que coloca o Brasil na frente é a mesma que pode nos fazer tropeçar se ninguém olhar para onde está pisando.
No fim das contas, não basta ser o primeiro a entrar na piscina. Vale mais saber nadar depois do mergulho.
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